Na manhã de sexta-feira, a O rganização dos Estados Americanos (O EA) realiza reunião ministerial extraordinária de chanceleres para analisar a crise na Nicarágua, após Daniel O rtega declarar a inexistência de eleições futuras e promover reforma constitucional que amplia o mandato presidencial e restringe a participação de opositores, fato que motivou o voto contrário do Brasil à convocação, considerada excepcional e prematura por Brasília.
Contexto Institucional e Histórico da Crise Nicaraguense
A convocação da reunião ministerial, mecanismo excepcional da O EA destinado a crises graves, foi acionada pelo Conselho Permanente após O rtega afirmar que eleições não serão realizadas e apresentar projeto de reforma constitucional que prolonga seu mandato e facilita a exclusão de adversários políticos, movimento que gerou reações divergentes entre os membros da organização.
O Brasil, representado pelo embaixador Benoni Belli na O EA, posicionou-se contra a convocação, argumentando que o encontro deve ser utilizado apenas como último recurso diante de situações de extrema gravidade, enquanto o México optou pela abstenção; mesmo assim, a maioria dos chanceleres votou a favor, demonstrando divisão no bloco americano em face da escalada autoritária em Manágua.
A O EA realiza reunião ministerial extraordinária para analisar crise na Nicarágua após O rtega negar eleições e aprovar reforma constitucional que amplia mandato presidencial e restringe oposição.
Repercussão Diplomática e Estratégia de Negociação entre os Estados Membros
O s EUA, Peru e Colômbia apresentaram proposta de resolução exigindo a libertação de presos políticos, restituição da nacionalidade de opositores e garantias de liberdades civis, como expressão e associação, mas o Brasil negociou a retirada de trechos que poderiam legitimar intervenções coercitivas ilegais, como a referência a 'presença maligna de pessoal extra-hemisférico' e ações que ameaçam a segurança continental.
Diplomatas brasileiros também propuseram criar um grupo composto por ex-presidentes e ex-chanceleres da região para monitorar a situação nicaragua, contrariando a sugestão dos EUA e aliados de instituir comissão ministerial integrada por chanceleres alinhados ao governo Trump, considerada pouco efetiva por Brasília devido à isolamento de O rtega.



