Em 26 de maio de 2022, a emergência da Unidade de Pronto Atendimento da UPA de Samambaia Norte testemunhou uma corrida contra o tempo para salvar Thais de Araujo Tavares, 29 anos, que, após ingerir anabolizantes clandestinos produzidos no laboratório New Science sob a gestão de Roberto Carlos Pereira de Carvalho — conhecido como 'Jiraiya' e alvo da O peração Narciso, deflagrada pela PCDF em agosto de 2022 — apresentou sinais críticos de insuficiência respiratória aguda.
Contexto Institucional e Histórico da Investigação
A apuração conduzida pela Corf e pela PCDF revelou que o esquema por trás dos anabolizantes ilegais movimentava aproximadamente R$ 500 mil por mês, operando por meio de laboratórios clandestinos espalhados em cinco estados brasileiros e no Paraguai, onde Jiraiya foi preso preventivamente em 2022, consolidando um dos maiores redes de tráfico de substâncias anabolizantes e medicamentos proibidos do país.
O laudo cadavérico e os exames toxicológicos confirmaram que a causa da morte de Thais foi insuficiência respiratória aguda decorrente de tromboembolismo pulmonar, com presença comprovada de etanol e benzodiazepínicos no organismo, em conjunto com o uso simultâneo de enantato, oxandrolona e clembuterol — substância originalmente destinada ao uso veterinário — apreendidos na residência da vítima, evidenciando os riscos sanitários irreversíveis do consumo descontrolado de produtos químicos sem supervisão médica.
O esquema criminoso movimentava cerca de R$ 500 mil por mês, operando em laboratórios clandestinos distribuídos em cinco estados brasileiros e no Paraguai
Repercussão Jurídica e Estratégias de Contenção
A PCDF e o Ministério da Justiça iniciaram procedimentos para enquadrar a conduta sob as figuras penais previstas no Código Penal, especialmente os artigos relacionados à fabricação e comercialização de produtos perigosos à saúde, com possibilidade de aplicação de sanções que incluem prisão preventiva definitiva e multas milionárias.
Especialistas em saúde pública alertam que a continuidade do comércio ilegal desses anabolizantes exige ações integradas entre órgãos sanitários, policiais e judiciais para desarticular redes que utilizam perfis de influenciadores digitais como fachada para a distribuição de produtos sem controle sanitário.



