Em 14 de outubro, o Senado Federal analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1, medida que se insere diretamente no calendário eleitoral com votação prevista para viabilizar a campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, a apenas onze dias do segundo turno marcado para 25 de outubro.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A PEC que propõe o fim da escala 6×1, exigindo sessentaseis horas de trabalho semanal por cinco dias, requer cinquenta e quatro assinaturas de senadores para acelerar sua tramitação e necessita de pelo menos quarenta e nove votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação, com possibilidade de promulgação em 2026 sem sanção presidencial. A iniciativa foi encampada pelo governo federal e representa uma estratégia eleitoral para ampliar o eleitorado além do núcleo tradicional do PT, especialmente entre mulheres e trabalhadores informais, conforme avaliações internas da campanha.
Antes da mudança de postura, Flávio Bolsonaro (PL) classificava a proposta como 'oportunista' e 'eleitoreira', mas após mobilizações populares e pressão política, recuou e anunciou apoio à versão defendida pelo governo, o que reforça a percepção de que a votação sobre a jornada de trabalho se configura como um ponto decisivo para a reconvergência de setores da direita com o projeto governista.
A PEC exige 54 assinaturas — dois terços dos senadores — para viabilizar a votação acelerada em apenas um dia.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que há suporte suficiente no chamber para protocolar requerimento que permite análise da PEC em primeiro e segundo turnos ainda na quarta-feira, destacando que o texto deve seguir para votação sob calendário especial que exige 54 assinaturas. O governo federal atribui a mudança de postura do PL à pressão das manifestações de rua ocorridas em diversos estados nos últimos dias, reforçando a narrativa de que a proposta reflete o desejo popular por jornada mais flexível.
Com a votação programada para ocorrer no mesmo dia da análise, os próximos passos incluem a aprovação do calendário especial para agilizar o processo, com possibilidade de promulgação em 2026 caso haja consenso entre os partidos. A decisão pode impactar não apenas a dinâmica eleitoral, mas também as relações entre poderes legislativo e executivo, especialmente diante da proximidade do segundo turno.



