No dia 2 de setembro, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam com expressiva retração, após nova pesquisa eleitoral da Quaest indicar redução da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) para 1 ponto percentual no segundo turno, enquanto o mercado reagiu à desaceleração da produção industrial e ao viés de baixa das DIs em toda a curva.
Contexto Institucional e Evolução das Taxas de Juros
As taxas dos DIs registraram queda acentuada na quarta‑feira, com o DI para janeiro de 2028 recuando 8 pontos‑base, de 13,751% para 13,675%, e o DI para janeiro de 2035 caindo 13 pontos‑base, de 14,511% para 14,385%, evidenciando forte pressão de baixa na curva de juros.
A investigação econômica foi sustentada por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontaram crescimento de 0,2% na produção industrial em julho frente ao mês anterior, cifra inferior às projeções da Reuters que esperavam expansão de 0,6%, reforçando a percepção de desaceleração que tem motivado expectativas de novos cortes da taxa Selic.
A taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou a sessão em 13,675%, marcando queda histórica de 8 pontos‑base frente ao ajuste anterior.
Repercussão Política e Consequências Econômicas
A pesquisa Quaest revelou empate técnico entre Lula (42%) e Flávio Bolsonaro (41%), com margem de erro de 2 pontos percentuais, fato que favoreceu a renovação das mínimas nas DIs e no dólar ante o real, ao passo que o Ibovespa alcançou máximas, refletindo o otimismo dos agentes com a proximidade do candidato do PL.
O ministro Alexandre de Moraes foi alvo de críticas intensas por parte de Flávio Bolsonaro após o julgamento que resultou na condenação do ex‑presidente Jair Bolsonaro; os analistas apontam que o escândalo envolvendo Moraes pode influenciar a percepção eleitoral e, consequentemente, as expectativas quanto aos rumos da política monetária.
No âmbito legislativo, a proposta de extinção da escala 6x1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e segue para o plenário, sinalizando avanços na agenda trabalhista que podem impactar a confiança dos investidores.
Com a Selic atualmente em 14% ao ano e a curva precificando cerca de 100% de probabilidade de corte de 25 pontos‑base em setembro, os próximos movimentos dependerão da combinação entre os resultados eleitorais e os indicadores macroeconômicos.



