A nova Pesquisa sobre Finanças do Consumidor do Federal Reserve, realizada entre abril e maio de 2024 com amostra representativa de 4.300 famílias americanas, revela que, após a fase aguda da pandemia, os ganhos de riqueza das famílias se moderaram significativamente, com o patrimônio líquido mediano real subindo apenas 2%, para US$ 215.900, enquanto a dívida familiar como percentual da renda aumentou para 15,4%, refletindo pressão crescente sobre o consumo das camadas mais vulneráveis.
Contexto Institucional e Evolução Pós-Pandêmica
A pesquisa, conduta a cada três anos pelo Federal Reserve desde 1983, analisou o período de 2022 a 2025 e constatou que, apesar do crescimento da renda familiar mediana real — ajustada pela inflação — de 7%, totalizando US$ 82.200, a riqueza das famílias menos abastadas caiu drasticamente: o quarto inferior viu seu patrimônio líquido despencar de US$ 3.800 em 2022 para apenas US$ 1.700, uma perda superior a 50% em três anos.
O relatório destaca que os ganhos de riqueza foram concentrados entre os mais idosos (37% de aumento entre famílias com membro principal acima de 75 anos), os mais ricos (10% superiores) e aqueles com maior escolaridade, enquanto famílias negras registraram queda de 25% no mesmo período, agravando desigualdades históricas já identificadas pelo próprio órgão.
Diante desse cenário, o Fed aponta que o estresse financeiro aumentou para um subconjunto crescente de famílias, mesmo com renda estável ou em alta, em razão da combinação de inflação persistente, juros elevados e redução dos ganhos de patrimônio em ativos financeiros e imobiliários.
O patrimônio líquido do quarto inferior das famílias caiu mais de 50%, passando de US$ 3.800 em 2022 para US$ 1.700 em 2025.
Repercussão Econômica e Desafios Regulatórios
O Federal Reserve enfatizou que, embora a dívida total das famílias como percentual da renda tenha subido de 89,4% em 2022 para 94,9% em 2025, os índices de inadimplência têm se intensificado: quase 9% das famílias têm pagamentos de dívida que ultrapassam 40% da renda familiar, o maior patamar desde a pesquisa de 2013.
Especialistas apontam que a chamada 'distribuição em forma de K' evidencia uma polarização onde as famílias com ativos sólidos avançam enquanto outras se mantêm estagnadas ou retrocedem, exigindo políticas direcionadas para evitar maior exclusão social e instabilidade macroeconômica.
O cenário sugere que, sem intervenções coordenadas do Tesouro e da Reserva Federal — como ajustes na política creditícia ou programas de reestruturação de dívida — os desequilíbrios estruturais podem comprometer a recuperação sustentável da economia doméstica americana.



