Lucas Pavanato, deputado federal eleito por São Paulo, e Eduarda Campopiano, deputada estadual mais votada do estado, destinaram mais da metade de seus respectivos orçamentos de campanha — 50,02% e 61,13% — ao impulsionamento de conteúdos digitais nas redes sociais, superando em expressiva medida os investimentos em atividades presenciais com o eleitor, conforme dados oficiais da Justiça Eleitoral.
Investimento Estratégico em Comunicação Digital e Estrutura de Financiamento
A análise detalhada dos registros financeiros da campanha eleitoral de 2024 revela que Lucas Pavanato, candidato pelo Partido Liberal (PL), alocou R$ 1.352.190,90 de um total de R$ 2.702.190,90 em impulsionamento de conteúdos digitais, representando 50,02% do faturamento total, enquanto destinou apenas R$ 136.142,00 — 5,04% — a ações presenciais na rua, segundo demonstração oficial da Comissão Nacional de Campanhas Eleitorais.
Nos bastidores da estratégia digital, a vereadora reeleita Eduarda Campopiano, também filiada ao PL e eleita com 1.956.238 votos — maior expressividade já registrada na história da Assembleia Legislativa de São Paulo — direcionou 61,13% de seu orçamento de R$ 654.315,52 (equivalentes a R$ 400 mil) para publicidade segmentada nas plataformas online, enquanto aplicou meramente R$ 94.315,52 (14,42%) em mobilização de rua e contato direto com a população.
Campopiano investiu R$ 400 mil em impulsionamento digital — quatro vezes o valor gasto em atividades presenciais — consolidando-se como a candidata com maior proporção de recursos digitais no pleito paulista.
Repercussão Política e Desafios Regulatórios
As declarações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçam que o uso intensivo de recursos públicos ou privados para campanhas digitais está sob escrutínio rigoroso quanto à transparência e ao respeito aos princípios de igualdade de condições eleitorais, embora as práticas observadas nestes casos estejam tecnicamente dentro da legalidade vigente.
Especialistas em comunicação política apontam que o modelo adotado por Pavanato e Campopiano reflete uma nova lógica de campanha no país: a priorização do alcance massivo e segmentado das redes sociais em detrimento da interação presencial, com implicações significativas para a dinâmica democrática e para a efetividade do voto informado.



