As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que decidem o controle do Congresso americano, podem ter impactos diretos na relação entre os dois países, segundo avaliação do analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna. Ele aponta que, caso os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Representantes e possivelmente no Senado, o presidente Donald Trump ficará politicamente mais acuado. Durante os anos em que o Congresso foi dominado pelos republicanos, Trump já demonstrou tendência a ignorar o Legislativo e adotar medidas de forma unilateral, incluindo ações sobre tarifas, imigração, a guerra contra o Irã e operações no Caribe e no Pacífico.
Com a possibilidade de investigações lideradas por um Congresso sob controle democrata, a alegação de ameaça à segurança nacional tem sido utilizada por Trump para justificar essas ações unilaterais. Nesse contexto, Sant'Anna delineou um cenário no qual o Brasil de Lula pode se tornar alvo de maior pressão por não aceitar a designação de organizações narcoterroristas e por não ter entrado para o Escudo das Américas. O analista ressaltou que Washington utiliza o Brasil como exemplo para reforçar a narrativa de ameaça à segurança nacional, dado que o país não se alinhou aos EUA e abriga grupos considerados perigosos. Embora Trump mantenha, em princípio, uma postura de relação relativamente estável com Brasília, ele não reconhece o resultado das eleições no Brasil e sustenta que a esquerda frauda processos eleitorais. No entanto, o analista alerta que a prioridade de retirar o Brasil da órbita chinesa deve se intensificar à medida que Trump for pressionado internamente, o que pode gerar uma espiral de tensionamento entre os dois países.


