A ex-governadora do Pará Ana Júlia Carepa, primeira mulher a chefiar o Executivo estadual, participou da manifestação realizada na Praça da República, em Belém, neste dia 9 de outubro, com o objetivo de evidenciar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em véspera à segunda votação presidencial.
Contexto Histórico e Mobilização Popular na Capital Paraense
A ex-governadora, convidada por um coletivo de jovens, destacou a relevante presença estudantil na marcha que reuniu apoiadores do PT em um dos principais cartões postais da capital paraense, reiterando seu compromisso histórico com a defesa das políticas públicas sociais durante mais de quatro décadas de trajetória política. Na oportunidade, ela relembrou sua atuação como presidenta do Centro Acadêmico Livre de Arquitetura (CALA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), órgão que coordenou durante o período de redemocratização do país, consolidando-se como referência na luta pela ampliação do acesso à educação superior e à cidadania.
Em entrevista ao Estado do Pará O nline (EPOL), Ana Júlia ressaltou que a mobilização reflete não apenas a vigência da democracia brasileira, mas também a necessidade de preservação de programas que ampliaram o ingresso de milhares de jovens nas universidades públicas e garantiram suporte básico a populações vulneráveis por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Segundo ela, a participação dos estudantes simboliza a continuidade de um movimento que já havia marcado sua juventude política há mais de 40 anos, quando defendeu as primeiras manifestações contra o autoritarismo militar no país.
Um corte fiscal de R$ 250 bilhões, proposto por setores da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, põe em risco o BPC e as políticas públicas de saúde e educação.
Repercussão Política e Desafios Institucionais perante Propostas Econômicas Contingentes
Em pronunciamento à imprensa regional, a ex-governadora alertou para os efeitos devastadores que tais medidas poderiam provocar nas áreas estratégicas do Estado do Pará, especialmente no âmbito da saúde pública, onde o financiamento de unidades básicas e programas de combate a doenças crônicas dependem diretamente dos recursos orçamentários federais repassados aos entes federativos.
A preocupação central reside no potencial congelamento ou redução dos repasses para o BPC, benefício que atende cerca de 13 milhões de brasileiros idosos e com deficiência, conforme dados recentes do Ministério da Cidadania, colocando em risco a segurança alimentar e habitacional desses grupos.
Especialistas em políticas sociais advertem que qualquer ajuste drástico nas regras previdenciárias ou assistenciais pode desestabilizar o equilíbrio fiscal dos municípios mais pobres do Norte do Brasil, ampliando desigualdades regionais já acentuadas.
O governador em exercício Helder Barbalho (MDB-PA) e o prefeito de Belém, Simão Jatene (PSD), não se posicionaram publicamente sobre as críticas formuladas por Carepa até o fechamento desta edição.



