No âmbito da suprema magistratura, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), alertou que a decisão ministerial de André Mendonça — que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, além de suspender a produção de relatórios de inteligência — pode comprometer centenas de investigações em andamento, inclusive aquelas referentes ao assassinato da vereadora Marielle Franco e outros casos de grande relevância pública.
Contexto Institucional e Antecedentes da Decisão Ministerial
A apreensão de documentos e o exame de delações premiadas revelaram que a Diretoria de Inteligência da Polícia Federal havia mantido uma atuação estratégica no desenrolar das investigações sobre o homicídio da vereadora Marielle Franco, bem como nos inquéritos referentes ao assassinato do motorista Anderson Gomes, cujas apurações culminaram na prisão dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e do então chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, em março de 2024. A suspensão dos relatórios e o afastamento dos dirigentes por Mendonça, que assumiu temporariamente a pasta de ministro da Justiça sob o governo Bolsonaro em 2020, geram incerteza quanto à continuidade das diligências policiais que dependem da estrutura analítica e operacional da referida diretoria.
Nos últimos dois anos, Leandro Almada consolidou-se como figura-chave na elucidação de crimes organizados ao coordenar as negociações das delações premiadas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, condenados como executores materiais dos atentados contra Franco e Gomes; sua trajetória técnica, que inclui passagem pela Diretoria de O perações do Ministério da Justiça em 2020 e experiência prévia como superintendente regional da PF nos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Amazonas, reforça a relevância institucional da sua atuação.
A suspensão dos relatórios de inteligência pela decisão ministerial pode paralisar centenas de investigações policiais em andamento.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Imediatos
A decisão do ministro André Mendonça foi recebida com preocupação por parte do STF, que reconheceu a possibilidade de cerceamento do trabalho investigativo já em curso; nesse sentido, Flávio Dino destacou que a medida impede 'o andamento - quiçá - centenas de investigações', reforçando a necessidade de restabelecer imediatamente as atividades da Diretoria de Inteligência para garantir a continuidade das apurações judiciais.
Com base nas delações premiadas recentes e nos procedimentos formais adotados pela Polícia Federal, as investigações sobre os mandantes dos assassinatos prosseguem sob forte pressão institucional para manter canais efetivos de comunicação entre inteligência policial e magistratura, enquanto o STF aguarda posicionamento definitivo sobre a validade administrativa do afastamento dos dirigentes.



