Catorze países latino-americanos, entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru, formalizaram uma declaração conjunta liderada pelos Estados Unidos para classificar 24 organizações criminosas — incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como 'narcoterroristas', em movimento que evidencia a intensificação da divisão geopolítica na América do Sul entre aproximação estratégica a Washington e manutenção de autonomia tática por Brasília.
Estrutura Geopolítica e Contexto da Declaração Conjunta
A análise apurada pela reportagem revela que a classificação das organizações como 'narcoterroristas' ocorre sob o âmbito do Escudo das Américas, iniciativa de segurança da América do Sul coordenada pelos Estados Unidos e que conta com 19 países participantes, mobilizando US$ 52 milhões em recursos direcionados à Colômbia, Equador, Peru e Panamá para fortalecer a cooperação militar e de inteligência. O Brasil permanece ausente dessa estrutura, optando por não integrar a aliança formalizada, embora mantenha canais de diálogo técnico com os demais governos da região.
Nos bastidores da articulação, fontes do Planalto indicam que a decisão dos países sul-americanos não reflete uma ruptura automática com a política externa brasileira, mas sim uma estratégia de alinhamento pragmático entre vizinhos que buscam consolidar parcerias com os Estados Unidos em áreas sensíveis como segurança fronteiriça e combate ao crime transnacional. O governo Lula tem priorizado o desenvolvimento de projetos de infraestrutura, energia e segurança de fronteiras como pilares da cooperação regional, sem se submeter à lógica de blocos ideológicos dominados por Washington.
Catorze países latino-americanos assinam declaração conjunta dos EUA para classificar PCC e CV como narcoterroristas, num movimento que redefine o mapa de forças na América do Sul.
Repercussão Institucional e Desafios de Soberania
O governo brasileiro avalia que a aproximação dos vizinhos aos Estados Unidos não implica necessariamente na perda de influência nacional na região, mantendo um equilíbrio cuidadoso entre diálogo multilateral e cooperação técnica em projetos estratégicos como energia, infraestrutura e segurança de fronteiras. A ausência brasileira do Escudo das Américas é interpretada como escolha soberana, não como recuo diplomático.
Fontes oficiais destacam que o Planalto segue monitorando com atenção os desdobramentos da nova configuração de segurança na região, especialmente o envio de drones pelo Comando Sul dos EUA e o reforço orçamentário destinado aos parceiros colombianos, equatorianos, peruanos e panamenhos. A expectativa é que o debate sobre a influência brasileira versus americana se mantenha no campo econômico e tecnológico, evitando uma nova Guerra Fria ideológica na América do Sul.



