Um estudo internacional apresentado no Congresso Europeu de Oncologia Médica, em Madri, identificou que apenas 20,5% dos pacientes com câncer de pulmão avançado na América Latina realizaram o sequenciamento de nova geração antes do início do tratamento. Batizado de ReaLuNGS, a pesquisa analisou dados de 1.125 pacientes em sete países da região, incluindo o Brasil, e investigou o uso de testes moleculares na prática clínica.
O sequenciamento de nova geração permite investigar simultaneamente dezenas ou centenas de genes relacionados ao câncer, oferecendo uma visão mais ampla das características moleculares do tumor do que testes convencionais. Segundo o estudo, 85,3% dos pacientes submetidos ao teste tiveram uma avaliação molecular considerada suficiente, contra 38,4% daqueles avaliados por testes convencionais. Alterações genômicas potencialmente acionáveis foram identificadas em 40,3% dos pacientes com sequenciamento abrangente, comparado a 29,6% nos testes convencionais.
Rodrigo Dienstmann, diretor médico da OC Medicina de Precisão da Oncoclínicas, destaca que os resultados evidenciam a necessidade de aproximar o desenvolvimento tecnológico da realidade do atendimento oncológico. O acesso ao exame enfrenta desafios como a qualidade do material coletado na biópsia, a conservação das amostras, a infraestrutura dos laboratórios, a cobertura pelos sistemas de saúde e o tempo para liberação dos resultados.



