Embora 123,9 mil jovens de 10 a 14 anos tenham recebido a primeira dose do imunizante contra a dengue no Distrito Federal até outubro de 2026, apenas 78,9 mil concluíram o esquema com a segunda dose, deixando aproximadamente 45 mil adolescentes sem proteção completa. A situação preocupa as autoridades porque o mês de outubro marca o início da temporada de chuvas da primavera, período historicamente associado ao aumento de casos da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal monitora com atenção o sorotipo DENV-3, que tem sido mais detectado entre os infectados nesta temporada, mesmo com a queda geral no número de casos. Entre 2022 e 2024, circulavam principalmente os tipos 1 e 2, mas de 2025 a 2026 o tipo 3 teve aumento proporcional. Até 17 de outubro de 2026, foram notificados 3.696 casos prováveis na região, e análises genéticas em 113 amostras indicaram que 72 eram do sorotipo 3.
A diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Malta, explica que quem já teve dengue recentemente ainda corre risco de contágio porque “a infecção produz imunidade de longa duração apenas contra o sorotipo que causou a doença, deixando a proteção contra os demais sorotipos incompleta”. Ela reforça ainda que a vacina disponível na rede pública imuniza contra os quatro sorotipos do vírus e que “a imunização é uma importante estratégia para evitar hospitalizações”, mas não substitui as medidas de controle do mosquito transmissor.
Além da vacinação, a recomendação é manter cuidados para evitar a proliferação do vetor e impedir a presença de larvas em residências e estabelecimentos. A SES-DF combate a doença com equipes de Vigilância Ambiental durante todo o ano, por meio da instalação de armadilhas, combate às larvas e liberação de mosquitos inoculados com a bactéria Wolbachia, que os torna incapazes de transmitir o vírus. Os estoques disponíveis nas mais de 130 salas de vacina do DF têm validade até setembro de 2027.



