Em Belo Horizonte, a deputada estadual Bella Gonçalves (PT) denunciou, há três anos, ameaças e tentativas de intimidação decorrentes de investigações sobre relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a Taquaril Mineração (Tamisa), empresa com acionista majoritário ligado ao fundo do extinto Banco Master, no projeto de exploração mineral da Serra do Curral, enquanto busca apuração do Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG) sobre possíveis favorecimentos em operações de crédito consignado e doações políticas.
Contexto Institucional e Investigação Preliminar
A apuração conduzida pela deputada se baseia em documentação oficial obtida junto ao TCE-MG, que incluiu análise de contratos de exploração mineral, movimentações financeiras do Banco Master e registros de notificações extrajudiciais enviadas ao gabinete da parlamentar em setembro de 2024, após a publicação de publicação jornalística que vinculava Vorcaro à Tamisa e ao fundo de investimento ligado ao Banco Master, principal acionista da mineração na Serra do Curral.
As denúncias foram formalizadas em representação protocolada no TCE-MG em março de 2025, na qual a parlamentar solicita apuração sobre possível favorecimento a empresas do grupo Vorcaro em projetos minerários, incluindo o recebimento irregular de crédito consignado por servidores estaduais e a doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai de Daniel, ao diretório mineiro do Novo em 2022 durante campanha reeleitoral de Romeu Zema.
A Taquaril Mineração, controlada por fundo ligado ao Banco Master, responde pelo projeto de exploração mineral da Serra do Curral até setembro de 2025.
Repercussão Política e Desdobramentos Jurídicos
A denúncia da deputada gerou reações imediatas do Poder Judiciário e da Polícia Federal, que abriram inquérito para apurar as ligações entre as ameaças sofridas por Bella Gonçalves e os interesses econômicos do grupo Vorcaro, incluindo o caso da morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — conhecido como 'Sicário' — que atentou contra a própria vida após prisão pela PF em 2023, enquanto investigava supostas conexões com o mesmo esquema investigado pela parlamentar.
O Ministério Público de Minas Gerais e o STF já receberam requerimentos da deputada solicitando esclarecimentos sobre o paradeiro de Nathana Lopes Figueiredo, ex-residente declarada em Dubai e autora de autorização para deixar o país mediante decisão do ministro André Mendonça, bem como sobre eventuais declarações prestadas por ela antes da morte prematura de Mourão sob custódia da PF.



