Na segunda-feira (7/8), durante almoço com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu críticas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao afirmar que São Paulo concentra a maior população nordestina do Brasil, em resposta indireta às declarações do aliado sobre a formação de uma frente entre os estados do Sul e Sudeste para contestar a influência regional do Nordeste nas negociações da nova divisão tributária.
Contexto Institucional e Estratégia Política da Frente Regional
A apuração jornalística confirmou que Bolsonaro fez suas observações durante entrevista coletiva na Prefeitura de São Paulo, onde esteve como convidado do prefeito Ricardo Nunes, após participar de almoço corporativo no Centro da cidade, em horário que coincidiu com o pico de cobertura da imprensa regional. Ao ser questionado sobre as propostas de Zema, que prevê a criação de uma frente entre os estados do Sul e Sudeste para equilibrar a participação no novo imposto único derivado da reforma tributária, o ex-presidente evitou juízos diretos, mas destacou a representatividade demográfica do Nordeste, citando sua filha como descendente de nordestino. A iniciativa de Zema, revelada em entrevista ao O Estado de S. Paulo, visa consolidar poder político nas esferas federais ao propor uma aliança entre os estados mais avançados economicamente, em contraponto à crescente demanda de representatividade do Nordeste no Conselho Federativo que definirá a distribuição dos recursos do novo regime tributário.
Nos bastidores da apuração, fontes próximas ao governo federal indicam que a proposta de Zema tem sido alvo de preocupação dentro do Palácio do Planalto, especialmente por envolver a reconfiguração das alianças políticas estaduais após a eleição de 2022. O ministro da Justiça, Flávio Dino, classificou a iniciativa como 'traidora da pátria' em postagem no Twitter, acusando Zema de fomentar o separatismo ao privilegiar a união regional em detrimento da unidade nacional. A controvérsia se desenrola num cenário de tensões entre governadores do Nordeste e autoridades do Sudeste, onde temas como repatriação de recursos fiscais e autonomia administrativa têm sido disputados desde o início da gestão federal.
A proposta de Zema visa evitar perdas regionais na divisão do novo imposto único criado pela reforma tributária, apesar da concentração populacional no Centro-Sul.
Repercussão Institucional e Desafios Jurídicos da Aliança Regional
A crítica velada de Bolsonaro reforça o distanciamento entre os dois aliados partidários, apesar de manterem vínculos formais no Congresso Nacional. Enquanto Zema defende sua proposta com base na necessidade de fortalecer a competitividade econômica regional, Flávio Dino a condena como ameaça à unidade federativa, utilizando linguagem incisiva para alertar contra o risco de desmembramento simbólico da República. A Polícia Federal já iniciou análise técnica das postagens publicadas pelo governador mineiro e pelo ministro da Justiça para verificar possível violação à Lei nº 5.700/1971, que proíbe atos que incitem divisão ou separatismo político.
Especialistas em direito constitucional apontam que a frente entre os estados do Sul e Sudeste pode ser legitimada como ferramenta de cooperação federativa, desde que não violem princípios da simetria federativa previstos na Constituição Federal. O próximo passo inclui reunião agendada entre prefeitos dos estados envolvidos para definir pautas comuns no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), com possibilidade de formalização até outubro.



