O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está isolado ao não reconhecer o resultado das eleições presidenciais brasileiras, que deram a vitória ao petista. Auxiliares do Executivo federal entendem que não há espaço para questionamentos ao pleito, uma vez que o resultado foi reconhecido por lideranças internacionais, partidos brasileiros — inclusive o PL, legenda do candidato derrotado — e representantes do Legislativo e Judiciário locais.
A gestão Lula também avalia que está mais fortalecida neste cenário do que estava no ano passado, durante a crise do tarifaço. O entendimento no governo é de que, sobretudo pelo tamanho da vitória de Lula nas urnas, que teve 64 milhões de votos contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro, não há margem para que dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro sejam consideradas legítimas.
Ao deixar o Brasil no fim da noite de terça-feira (27/10), o senador Flávio Bolsonaro publicou, já em território norte-americano, uma carta na qual se declarava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, recuou e divulgou uma nova versão do texto, sem o trecho, na qual se apresentava apenas como “líder do Brasil”. O documento reúne diversas acusações, sem apresentar provas, sobre supostas fraudes no processo eleitoral brasileiro.
Nessa quinta-feira (29/10), após ao menos duas manifestações sobre o assunto, Trump voltou a criticar as eleições brasileiras e chegou a classificar o pleito como uma “desgraça”. O republicano também afirmou que pretende conversar com Lula e disse que o petista teria pedido a ele que adotasse uma postura de neutralidade na disputa. Questionado sobre quem reconhecia como “legítimo presidente do Brasil”, Trump não quis responder.



