Mais de um milhão de correntistas do Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai, já tiveram os recursos devolvidos após a liquidação da instituição pelo Banco Central do país. Entre quinta e sexta-feira, 1.196.000 clientes com depósitos de até 240 salários mínimos e outras contas bancárias receberam o dinheiro de volta, somando cerca de 160 milhões de dólares.
O novo presidente, Pedro Alliana, anunciou que aproximadamente 32 mil aposentados que recebiam benefícios pelo Ueno serão pagos por outros bancos no dia 17 deste mês. Alliana também determinou "ações imediatas" para ressarcir os poupadores, priorizando os menos favorecidos, e afirmou que ninguém será deixado sozinho diante do colapso financeiro.
A crise teve desdobramentos políticos rápidos: em menos de 48 horas, o ex-presidente Santiago Peña renunciou, foi alvo de impeachment e preso. Peña, que havia assumido o Executivo em agosto de 2023 e era acionista do Grupo Vázquez, proprietário do banco, até março de 2025, enfrentou acusações da oposição de conflito de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários.
O Ueno Bank encerrou suas atividades na terça-feira depois que o Banco Central constatou um déficit nos índices de solvência ligado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. O banco concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, e atendia cerca de 3 milhões de clientes — metade da população paraguaia.
