São Paulo — O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, nesta segunda-feira (7/8), ter utilizado os R$ 17 milhões arrecadados por meio de doações via Pix, destinadas a custear multas por descumprimento de normas sanitárias durante a pandemia, para repasses a familiares ou pessoas próximas, afirmando que os pagamentos ocorreram entre janeiro e junho, antes do início da campanha de arrecadação em meados de junho.
Apuração e Caracterização dos Repasses Financeiros
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou, com base em análises de movimentações bancárias, que entre janeiro e junho o ex-presidente movimentou valores totalizando R$ 17 milhões em operações via Pix, sendo R$ 56 mil destinado a Michelle Bolsonaro, R$ 77 mil à síndica Leda Maria Marques Crivelatti, R$ 12 mil ao tenente O smar Crivelatti e R$ 14 mil à lotérica Jonatan e Felix, conforme consta no relatório técnico da instituição.
Antecedentes indicam que os repasses ocorreram durante período anterior ao término da vaquinha do Pix, iniciada em junho, conforme Bolsonaro declarou em conversa com imprensa na sede da Prefeitura de São Paulo, onde esteve reunido com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), enquanto a CPI dos ataques de 8 de janeiro já havia requisitado à Procuradoria-Geral da República a abertura de inquérito sobre suposto recebimento de pedras preciosas por parte do ex-presidente em Teófilo O toni (MG), em outubro de 2022.
O total de R$ 17 milhões arrecadados via Pix foi apurado pelo Coaf entre janeiro e junho, com repasses verificáveis a familiares e pessoas ligadas ao entorno do ex-presidente.
Repercussão Legal e Desdobramentos Institucionais
A Procuradoria-Geral da República recebeu requerimento formal da Comissão Parlamentar de Inquérito que apura os ataques de 8 de janeiro para investigar suposta utilização de bens supostamente recebidos por Bolsonaro em Teófilo O toni (MG) — pedras preciosas alegadamente usadas para financiar atos violentos — fato que pode configurar crime contra o ordenamento jurídico e a democracia.
Enquanto isso, o Coaf mantém sob análise os repasses identificados como possíveis violações ao regime especial de uso da doação via Pix para fins não previstos no programa original, com possibilidade de instauração de processo administrativo por lavagem ou uso indevido de recursos públicos indiretos.



