Duas semanas após o Comitê de Clientes da Ação de Mariana anunciar a substituição do escritório Pogust Goodhead (PG) pelo Bailey Glasser International (BGI), a PG reforçou sua equipe com a contratação de Richard East, sócio do escritório Quinn Emanuel em Londres, especialista em litígios bancários e insolvência, numa jogada que sinaliza intensificação de sua estratégia frente à fase decisiva da causa.
Contexto Estratégico e Antecedentes da Contratação
A entrada de Richard East no PG, ocorrida em outubro de 2025, surge como resposta direta à decisão do Comitê de Clientes de romper com o escritório em 29 de agosto, após constatação de irregularidades na gestão da defesa em uma das maiores ações coletivas da história do direito brasileiro. O anúncio foi divulgado oficialmente pela assessoria da PG, que destacou a trajetória de 30 anos do advogado em processos de alto valor e complexidade jurídica, sem vínculo prévio com causas ambientais ou coletivas, o que gerou estranheza entre vítimas e analistas.
O movimento institucional ocorreu num contexto mais amplo de ruptura entre o PG e seus próprios colaboradores: mais de 20 advogados abandonaram o escritório desde a saída de Thomas Goodhead em 2025, muitos deles após decisão judicial que reconheceu a responsabilidade da BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2025. O próprio Goodhead, agora à frente do BGI, acusou o fundo Gramercy — financiador principal da ação — de tentar pressioná-lo a propor um acordo que reduziria o valor devido às vítimas, sob ameaça de corte de financiamento. A recusa a essa pressão, segundo seu relato, motivou seu afastamento do PG em agosto de 2025.
Mais de 20 advogados abandonaram o Pogust Goodhead desde a decisão judicial que reconheceu a responsabilidade da BHP pelo desastre de Mariana em novembro de 2025
Repercussões Jurídicas e Desafios Estruturais
A chegada de East à PG foi imediatamente vista como tentativa de reforçar a defesa jurídica diante da decisão do Comitê de Clientes, que questionou a transparência na contratação do Quinn Emanuel meses antes, sem consulta prévia ao grupo dos clientes representados. O próprio Comitê informou que não recebeu explicação sobre por que o anonimato das vítimas foi rescindido para permitir atuação conjunta do PG na fase final do processo, contrariando normas éticas e protocolos previamente estabelecidos.
O escritório também enfrenta dilema sobre sua autonomia para substituir sua própria representação legal diante do Comitê, já que a estrutura jurídica e financeira consolidada ao longo dos anos está sob risco com a decisão judicial que impõe nova configuração à ação. O julgamento está previsto para abril de 2027, e qualquer mudança na estratégia legal pode impactar diretamente o desfecho do caso.



