O desastre na Usina Nuclear de Chernobyl, em 1986, espalhou radioisótopos e contaminantes tóxicos pela atmosfera, tornando a região um dos ambientes mais inóspitos do planeta. Mesmo assim, cães continuaram a viver e se reproduzir ali por mais de 35 gerações.
Um estudo publicado na revista científica Genes mapeou o genoma completo desses animais e concluiu que as diferenças genéticas não resultaram do acaso ou do isolamento geográfico. As condições extremas atuaram como pressão evolutiva, favorecendo indivíduos com mutações protetoras.
Os pesquisadores compararam cães da usina nuclear com os da Cidade de Chernobyl e com cães das Ilhas Galápagos. Constataram que os animais da usina são geneticamente mais distintos de seus vizinhos próximos do que os cães das Galápagos são em relação aos da Europa continental.
A análise genômica identificou 1.138 regiões com alterações marcantes e 247 genes-candidatos sob seleção positiva. As mudanças se concentraram em três frentes biológicas: reparo de DNA danificado pela radiação ionizante, bloqueio da proliferação de células cancerígenas e contenção de inflamações crônicas causadas por metais pesados e toxinas.
Os cientistas apontam que os cães domésticos funcionam como sentinelas biológicas para a saúde humana. Compreender como esses animais reescreveram o genoma pode fornecer pistas para a oncologia comparada e para os limites da resiliência biológica humana diante de acidentes industriais, nucleares ou contaminações por toxinas.



