A disputa pelo Governo do Pará, que segue em equilíbrio técnico segundo pesquisa Quaest de agosto de 2025, revela um impasse estratégico entre Daniel Santos (Podemos), com 28%, e Hana Ghassan (MDB), com 27%, ambos dentro da margem de erro de três pontos, enquanto o ex-governador Helder Barbalho permanece como figura central na sucessão estadual sem assumir diretamente o papel de antagonista na campanha da governadora.
Contexto Institucional e Estratégico da Disputa Estadual
A pesquisa Quaest, contratada pela /TV Liberal e registrada sob os protocolos PA-07718/2026 e BR-05309/2026, foi conduzida entre 25 e 28 de agosto com amostragem de 804 eleitores, confirmando um empate técnico entre os dois principais candidatos ao governo paraense, fato que se arrasta desde dezembro de 2025, conforme evidenciam levantamentos do Instituto Doxa que já apontavam oscilações similares sem quebrar o equilíbrio entre os nomes.
Enquanto Daniel Santos constrói sua narrativa a partir de um adversário claramente definido — o grupo político que governa o Pará desde 2019, representado pela gestão de Helder Barbalho —, a campanha de Hana Ghassan mantém uma estratégia de baixo risco que evita confronto direto, baseando-se na exposição administrativa do governo e na continuidade das obras promovidas pelo MDB em parceria com o ex-prefeito, sem articularem um projeto político autônomo capaz de ocupar o espaço central do debate eleitoral.
O empate técnico entre Daniel Santos e Hana Ghassan persiste há quase dois anos, mesmo após convenções partidárias e início da campanha oficial, com a governadora ainda desconhecida por 43% do eleitorado segundo a própria pesquisa Quaest.
Repercussão Política e Desafios para a Construção de Narrativas Independentes
A dependência da governadora pela exposição do nome de Helder Barbalho e pela continuidade administrativa, evidenciada pela Convenção Estadual do MDB em 1º de agosto que colocou seu nome ao lado dos aliados no material eleitoral antecipado, revela uma estratégia que prioriza a vitrine institucional em detrimento da construção de uma agenda política própria, como já apontado pelo EPOL em análise prévia à campanha.
Esse modelo de comunicação, centrado em balanços de obras e na construção de uma imagem institucional mais que programática, tem limitado a capacidade de Hana Ghassan de se consolidar como alternativa política autônoma, colocando em xeque sua viabilidade competitiva num cenário onde a definição clara do 'inimigo' se mostra essencial para a mobilização eleitoral.



