Na 23ª Convenção Secovi-SP, realizada em São Paulo em 27 de junho, o CEO da MRV&Co, Eduardo Fischer, alertou sobre o impacto estrutural das apostas esportivas no poder de compra das famílias e na saúde do setor imobiliário, em um cenário de endividamento crescente e desequilíbrio financeiro nacional. O executivo destacou que o consumidor brasileiro, já sob pressão de múltiplas despesas cotidianas, vê sua capacidade de consumo comprometida não apenas pelo aumento do acesso ao crédito, mas também pela concentração de renda em jogos de azar digitais, o que reverbera diretamente sobre a demanda por imóveis e o equilíbrio macroeconômico.
Análise do Cenário Macro e Impacto no Consumo
Durante a solenidade empresarial, Fischer apresentou dados preliminares apontando que o endividamento médio das famílias brasileiras atinge níveis recordes, com a participação das apostas esportivas como fator acelerador desse processo, conforme apurado por relatório setorial divulgado pela empresa. O executivo ressaltou que o consumidor chega à ponta das vendas em uma situação financeira mais desequilibrada do que em décadas anteriores, onde o peso das bets se configura como um dos múltiplos atores do empobrecimento estrutural da classe média.
Esse quadro, segundo o líder da MRV&Co, evidencia a necessidade de reavaliação das políticas públicas e das estratégias corporativas diante do risco de colapso da renda disponível, já que o mesmo indivíduo que adquire um imóvel enfrenta simultaneamente compromissos com parcelas de jogos, alimentação e saúde, ampliando a vulnerabilidade do mercado habitacional.
O consumidor brasileiro está mais endividado do que no passado, comprometendo não apenas o varejo, mas também o mercado imobiliário.
Repercussão Setorial e Desafios Futuramente
A declaração do CEO gerou repercussão imediata entre entidades do setor imobiliário e órgãos reguladores, com a Associação Brasileira de Incorporadoras (Abina) solicitando diálogo com o governo federal para avaliação de medidas compensatórias que não penalizem o consumo básico. Paralelamente, analistas econômicos apontam que a ausência de restrição às bets pode consolidar uma nova onda inflacionária no varejo residencial, dada a relação direta entre dívida familiar e demanda por bens duráveis.
Fischer concluiu que os próximos passos dependem da articulação entre Ministério da Economia, Banco Central e setor privado para implementar indicadores de sustentabilidade financeira nas práticas de crédito vinculadas ao consumo voltado ao jogo.



