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Economia

Chuvas em São Paulo atrasam colheita de cana da Brasilagro e pressionam calendário

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 22:12
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Chuvas em São Paulo atrasam colheita de cana da Brasilagro e pressionam calendário
Fatos Rápidos da Notícia
  • Excesso de chuvas atrasa colheita de cana na unidade paulista da Brasilagro
  • Moagem em SP deve se estender até 20 dezembro; parte pode ficar para próxima safra
  • Receita com açúcar e cana caiu cerca de 10% no primeiro trimestre fiscal
Resumo Editorial

A empresa enfrenta atrasos na moagem de cana-de-açúcar em São Paulo devido ao excesso de precipitações, podendo estender o processamento até dezembro e deixar parte da matéria-prima para a próxima safra, enquanto unidade no Maranhão registra volumes recordes.

O excesso de chuvas em São Paulo está atrasando a colheita de cana-de-açúcar da Brasilagro e pode comprometer a rentabilidade da operação nos próximos meses. Uma das unidades da companhia, que historicamente encerra a moagem em 30 de outubro, deverá continuar processando matéria-prima até 20 de dezembro. Mesmo com a extensão do calendário, a empresa admite a possibilidade de deixar parte da cana no campo para ser colhida apenas no início da próxima safra.

O alerta foi feito pelo CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, durante teleconferência com jornalistas sobre os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027. Segundo o executivo, a principal preocupação está no estado de São Paulo, onde as chuvas persistentes dificultaram os trabalhos no campo durante setembro e alteraram o planejamento de colheita das usinas.

A unidade paulista ainda tem aproximadamente 170 mil toneladas de cana para colher, de um volume total superior a 300 mil toneladas previsto para a temporada. "Vamos ter que continuar colhendo até dezembro e talvez deixar algo para a próxima safra", disse o CEO.

No Maranhão, o cenário é diferente. A companhia enfrentou um atraso no início da colheita em razão de uma manutenção na indústria, mas conseguiu acelerar o ritmo de processamento em outubro. Segundo o CEO, a unidade registrou moagem superior a 215 mil toneladas no mês, o maior volume de outubro já alcançado pela operação.

Para novembro, a expectativa é processar outras 190 mil toneladas. A empresa trabalha para recuperar parte do tempo perdido no início da temporada e avançar com a colheita até dezembro. A avaliação da administração é de que a operação tem condições de apresentar um desempenho positivo, apesar do atraso inicial.

A dificuldade enfrentada pela Brasilagro ocorre em um momento em que o excesso de precipitações também afeta outras regiões produtoras do Centro-Sul. O problema tem reduzido o ritmo de colheita, alterado o calendário das usinas e aumentado a possibilidade de transferência de matéria-prima para o próximo ciclo.

A chuva não prejudica apenas a entrada das máquinas nos canaviais. O excesso de umidade também pode afetar a qualidade da matéria-prima, reduzindo a concentração de ATRs (Açúcares Totais Recuperáveis), indicador que mede o potencial de açúcar da cana e influencia a remuneração do produtor e o rendimento industrial.

Levantamentos divulgados anteriormente pela Datagro já apontavam a possibilidade de mais de 35 milhões de toneladas de cana permanecerem no campo para processamento na safra seguinte. A consultoria relacionou o volume ao atraso da colheita provocado pelas chuvas no Centro-Sul.

Para a Brasilagro, o desempenho da cana merece atenção porque a atividade integra a composição das receitas agrícolas da companhia. No primeiro trimestre fiscal de 2027, encerrado em setembro, a receita com açúcar e cana-de-açúcar somou R$ 116,3 milhões, queda de aproximadamente 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da redução da receita, a margem bruta da atividade avançou de 14% para 17%, favorecida pela diminuição dos custos unitários de produção. O resultado mostra que a companhia conseguiu melhorar a rentabilidade da operação no trimestre, mesmo com uma receita menor.

A empresa também acompanha a evolução dos preços do açúcar e do etanol. Durante a teleconferência, Guillaumon indicou que os preços do etanol estão abaixo das expectativas consideradas anteriormente pela companhia. "A recuperação da receita da atividade dependerá não apenas do volume colhido e processado, mas também das condições de mercado e da eficiência da operação", afirmou.

O cenário climático exige ajustes que vão além da atual temporada. A companhia acompanha a evolução do El Niño e seus possíveis efeitos sobre o regime de chuvas nas regiões em que atua. "O El Niño já está dado, mas agora tem uma possiblidade de ser sucedido por La Niña, sem passar por um período neutro. O que isso significa? Não sabemos, nunca aconteceu", afirmou.

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