O Distrito Federal somou 115 denúncias de assédio eleitoral desde o início de 2026, conforme levantamento do Ministério Público do Trabalho. Destas, 37 foram registradas depois do segundo turno, realizado no último domingo (25), e envolvem discriminação, ameaças e retaliações motivadas por preferências políticas dos trabalhadores.
Em âmbito nacional, o total de relatos chegou a 2.364 até terça-feira (27). No domingo (25), quando ocorreu o segundo turno, o MPT contabilizava 1.937 denúncias, o que indica que 427 novos casos foram comunicados após a votação.
A procuradora do Trabalho Geny Helena Marques destacou que o término da eleição não autoriza perseguições ou demissões por causa do voto. Ela afirmou: “Essas situações são formas de discriminação por orientação política e, por estarem relacionadas ao processo eleitoral, também são caracterizadas como assédio eleitoral”.
Entre os casos investigados no DF, há situações em que empregadores teriam incentivado a demissão de funcionários por terem votado no Partido dos Trabalhadores (PT). As medidas adotadas pelo ministério se baseiam na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias na relação de trabalho e prevê reintegração com ressarcimento integral ou pagamento em dobro da remuneração do período afastado.
O ministério também organiza um plano nacional de atuação com ações judiciais, procedimentos extrajudiciais e pedidos de retratação para combater esses episódios. Trabalhadores podem denunciar anonimamente pelo site mpt.mp.br e é recomendável apresentar dados da empresa, local, descrição do fato, provas e pessoas envolvidas.
No Distrito Federal, a dona de um restaurante próximo ao Paranoá relatou ter sido alvo de boicote após divulgar seu posicionamento político. Segundo ela, mensagens incluíram ameaças de clientes deixarem de frequentar o estabelecimento e desejos de que o negócio fechasse as portas.
A comerciante mantém o restaurante desde 2017 e disse que não é a primeira vez que passa pela situação. Em 2022, uma foto publicada em seu perfil pessoal foi compartilhada em grupos de WhatsApp da região. Neste ano, ela percebeu queda no movimento na véspera do segundo turno e recebeu alerta de um cliente sobre comerciantes falando contra o estabelecimento.



