Entre 30 de outubro e 16 de novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, requereu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a intercessão junto ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, com a finalidade de conter o avanço das investigações que culminariam na O peração Compliance Zero, pouco antes de sua prisão no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Contexto Institucional e Estratégia de Intervenção
A apuração conduzida por jornalistas do, com base em mensagens extraídas do celular de Vorcaro, revelou um padrão sistemático de tentativas de influência sobre os agentes investigativos durante o período em que o Banco Master mantinha contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e havia indícios de repasse de R$ 80 milhões ao mesmo escritório em outubro de 2024, conforme documentação da CPI do Crime O rganizado.
O s diálogos, registrados em horários próximos à data da prisão – inclusive uma mensagem às 16h57 do dia 16 de novembro, menos de 24 horas antes da detenção – demonstram que Vorcaro buscou, por diversas vezes, pressionar pela suspensão ou adiamento das medidas policiais e ministeriais, articulando um plano que envolvia diretamente as chefias da PF e do MP.
O Banco Master movimentou repasses de R$ 80 milhões ao escritório jurídico da esposa do ministro Alexandre de Moraes em outubro de 2024.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Defesa
As declarações do banqueiro geraram questionamentos sobre a imparcialidade das investigações e motivaram manifestações da defesa, que alegou ausência de comprovação efetiva de inquérito prévio contra o banco e sustentou que as comunicações não implicam ingerência indevida nas decisões judiciais ou policiais.
Especialistas em direito penal e administrativo apontam que a tentativa de interposição por parte de Vorcaro pode configurar crime contra a administração da justiça, enquanto o STF ainda não se pronunciou formalmente sobre os fatos apreendidos pelo.



