No primeiro trimestre de 2024, o Brasil registrou o maior índice de feminicídios desde o início da série estatística, com uma mulher morta a cada cinco horas, evidenciando uma escalada alarmante na violência de gênero que coloca a segurança pública no centro do debate nacional e nas iminentes eleições.
Contexto Institucional e Histórico da Violência de Gênero
A análise dos dados oficiais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 1.200 casos de feminicídio foram registrados entre janeiro e março, superando em 18% o mesmo período de 2023, consolidando a tendência de letalidade crescente que se arrasta desde 2018, quando a Lei Maria da Penha completa uma década sem avanços significativos na efetivação das medidas protetivas.
Nos últimos cinco anos, o número anual de feminicídios subiu de 1.500 para mais de 2.700, enquanto o envolvimento de menores nas circunstâncias de violência — como casos em que adolescentes são autores ou vítimas — aumentou 37%, reavivando o foco legislativo sobre a redução da maioridade penal e desafiando a sociedade a repensar as raízes estruturais da misoginia institucionalizada.
No primeiro trimestre de 2024,1.200 mulheres foram brutalmente mortas no Brasil, sendo uma a cada cinco horas, em um cenário que marca o pior início de ano da história recente do país.
Repercussão Jurídica e Desafios para a Segurança Pública
A Procuradoria-Geral da República e o Conselho Nacional de Justiça já acionaram mecanismos internos para avaliar a necessidade de medidas emergenciais, como a criação de centros especializados em atendimento às denúncias e o fortalecimento das políticas de rastreamento de agressores por meio de monitoramento eletrônico.
O Ministério da Justiça anunciou a priorização do projeto 'Sinal Vermelho', que visa integrar bases de dados estaduais e federais para agilizar a resposta policial, enquanto movimentos sociais pressionam pela aprovação urgente do PLC 4/2023, que prevê a aplicação automática da pena máxima em casos comprovados de feminicídio.



