Em mais uma investigação que expõe a influência de grandes setores agroindustriais na financiamento de candidaturas federais, a Justiça Eleitoral identificou que membros da tradicional família O metto, ligada ao agronegócio e à indústria sucroenergética, foram os maiores doadores individuais à campanha de Ricardo Salles (Novo) ao Senado por São Paulo, movimentando recursos que ultrapassam R$ 400 mil em três eleições, com R$ 200 mil direcionados apenas à disputa de 2022.
Contexto Institucional e Histórico da Doação Política
A análise dos registros da Justiça Eleitoral revela que integrantes do clã O metto – incluindo Rubens O metto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan; seus primos César e Cristiana Krug O metto; e Marcelo Campos O metto, dirigente da São Martinho – contribuíram de forma consistente para a campanha de Salles, somando aportes que totalizam R$ 400 mil entre 2020,2022 e 2024, sendo R$ 200 mil exclusivamente na eleição atual, conforme demonstra o relatório técnico da Corte Eleitoral.
Antecedentes como a filiação do candidato ao partido Novo, sua passagem como ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro e o histórico de proximidade com o setor sucroenergético reforçam a intersecção entre interesses políticos e econômicos, enquanto doações recorrentes de figuras ligadas à Usina Santa Lúcia, à Votorantim e à Cosan configuram um padrão de financiamento estratégico por parte de elites rurais paulistas.
Mais de R$ 400 mil em doações individuais da família O metto foram registradas em três eleições, sendo R$ 200 mil apenas na atual campanha para o Senado.
Repercussão Jurídica e Econômica das Doações
A Justiça Eleitoral aplicou multa a Ricardo Salles por propaganda antecipada e por inserir mensagens ofensivas contra adversários em outdoors durante a campanha, configurando infração ao Código de Direito Eleitoral, enquanto o Ministério Público Estadual desistiu de impugnar sua candidatura após regularização formal dos papéis eleitorais.
Com o apoio financeiro de doadores ligados ao setor sucroenergético – que respondem por mais da metade dos recursos captados de pessoas físicas na campanha –, Salles consolidou uma base de financiamento robusta que deve influenciar diretamente sua atuação no Senado, especialmente em matérias relacionadas à política agrária, tributação de combustíveis e regulação ambiental.
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