A instabilidade institucional vivida no Supremo Tribunal Federal (STF) tem repercutido no agronegócio brasileiro, gerando incerteza nos investimentos, deteriorando as condições de crédito e ampliando a percepção de risco para exportadores, enquanto o número de empresas com recuperação judicial no setor registra crescimento acentuado em 12 meses.
Contexto Institucional e Evolução das Condições de Crédito
A crise envolvendo magistrados do STF, notoriamente as investigações sobre condutas de ministros e a tentativa de placação de pautas sensíveis ao debate eleitoral, tem sido analisada com preocupação pelo setor agropecuário, que vê nas oscilações institucionais um potencial desestabilizador para o ambiente de negócios.
Segundo dados do Monitor RGF-BIZDOC da Receita Federal, as emissões mensais de CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) caíram 77% entre o segundo semestre de 2025 (R$ 5,3 bilhões) e o primeiro semestre de 2026 (R$ 1,2 bilhão), enquanto o número de empresas com registro de recuperação judicial subiu de 313 em março de 2023 para 1.336 em agosto de 2026, indicando uma crise estrutural que ultrapassa a simples volatilidade econômica.
O número de empresas do agronegócio com recuperação judicial saltou de 313 em março de 2023 para 1.336 em agosto de 2026, um crescimento de 66% em apenas 12 meses.
Repercussão Jurídica e Consequências para o Setor Agropecuário
Autoridades como Claudio Damasceno, especialista em reestruturação e sócio da RGF-BIZDOC, alertam que a crise institucional não é diretamente responsável pelo aperto do crédito rural, mas intensifica a insegurança que já limitava as decisões empresariais e agravava o acesso ao financiamento.
Especialistas apontam que a combinação de deterioração creditícia, alta dos requisitos de garantia (60% a 80% do valor dos ativos) e aumento das ações judiciais sobre CPRs — que saltaram de cerca de 100 para mais de 400 por mês — está aprofundando a crise financeira do setor, exigindo maior cautela dos investidores diante da ausência de clareza institucional.



