O Tesouro Nacional divulgou, nesta terça-feira (3), o relatório de riscos fiscais da União, identificando a variação do Produto Interno Bruto (PIB) real como o maior fator de risco para as receitas do governo federal. O documento divide os riscos entre macroeconômicos, ligados a mudanças cíclicas ou estruturais da economia, e específicos, relacionados a eventos incertos de diferentes origens.
Segundo o Tesouro, 94,6% da receita primária está sujeita à volatilidade do PIB real, além da inflação, da massa salarial, do câmbio, dos juros e do preço do petróleo. Uma variação de 1 ponto percentual no PIB impacta as receitas administradas em R$ 16,6 bilhões, enquanto a inflação e o câmbio afetam esses valores em R$ 15,0 bilhões e R$ 2,5 bilhões, respectivamente. Caso todas essas variáveis subam 1 ponto percentual simultaneamente, a arrecadação aumentaria em R$ 43,5 bilhões.
No lado das despesas primárias, a volatilidade está atrelada ao salário mínimo e ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), influenciando principalmente benefícios previdenciários e assistenciais, o Seguro-Desemprego e o Abono Salarial. Em 2025, cerca de 51,9% das despesas primárias totais tiveram expansão por influência direta da inflação e do salário mínimo.
Entre os riscos específicos, o Tesouro destaca os precatórios e decisões judiciais contra o governo. O estoque de ações judiciais contra a União chegou a R$ 2,186 trilhões em junho de 2026, uma redução de 3,9% em relação a 2025. Já o estoque de ações com risco provável e possível somava R$ 2,273 trilhões em 2025, representando queda de 14,6% ante 2024.



