No âmbito da apuração da CPI dos ataques de 8 de janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro negou, nesta segunda-feira (7/8), a utilização de recursos de campanha via Pix para repasses a familiares e terceiros, apesar de o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ter registrado movimentações superiores a R$ 170 mil vinculadas a Michelle Bolsonaro, Leda Maria Crivelatti, O smar Crivelatti, Jonatan e Felix, entre janeiro e junho de 2023, período anterior ao início da vaquinha do Pix. O ex-presidente confirmou os pagamentos durante almoço com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), destacando que os valores foram utilizados para despesas pessoais e apostas na Mega-Sena.
Contexto Institucional e Histórico dos Repasses Financeiros
A investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou pagamentos realizados por meio de transferências digitais entre janeiro e junho de 2023, totalizando R$ 56 mil a Michele Bolsonaro, R$ 77 mil à síndica Leda Maria Crivelatti, R$ 12 mil ao tenente do Exército O smar Crivelatti e R$ 14.260 à lotérica Jonatan e Felix, conforme documento técnico obtido pelo Estado de S. Paulo. Esses valores, somados aos R$ 17 milhões arrecadados via Pix em campanha destinada à quitação de multas estaduais por descumprimento de protocolos sanitários durante a pandemia, geraram questionamento sobre a origem legítima dos recursos.
O ex-presidente Jair Bolsonaro contextualizou os repasses como ações pontuais para despesas familiares e administrativas, reforçando que os pagamentos ocorreram antes do início da vaquinha do Pix em meados de junho. Ele destacou que Michelle administra suas contas e que os valores foram utilizados para custear manutenção residencial, pensões das filhas e apostas esportivas, citando exemplos como jogos de sete dezenas na Mega-Sena com aposta mínima de R$ 35.
O s repasses somaram mais de R$ 170 mil em pagamentos a familiares e terceiros antes do início da vaquinha do Pix.
Repercussão Jurídica e Estratégica dos Investigações
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos ataques de 8 de janeiro requisitou à Procuradoria-Geral da República que aprofunde a análise sobre a possível ligação entre as pedras preciosas recebidas por Bolsonaro em Teófilo O toni (MG) em outubro de 2022 e o financiamento logístico dos atos violentos, com base em comunicações internas obtidas com Mauro Cid. A investigação busca esclarecer se recursos oriundos de atividades irregulares ou doações não declaradas contribuíram para a mobilização de grupos extremistas.
Diante da formalização da denúncia, especialistas apontam que os repasses via Pix configuram potencialmente crime hediondo contra o sistema financeiro, dependendo da comprovação da origem ilícita dos recursos. A Justiça Federal já determinou a quebra de sigilo bancário dos envolvidos, enquanto o Ministério Público Federal aguarda parecer da Coaf para definir as próximas medidas cautelares.



