O ito meses após a operação militar que culminou com a captura e a transferência de Nicolás Maduro aos Estados Unidos, o país vive um período de profunda instabilidade institucional e social, marcado por um sentimento crescente de desencanto da população e incerteza quanto ao futuro econômico e político.
Contexto Institucional e Pesquisa de Percepção Econômica
A pesquisa da consultoria Hercon, realizada entre 1º e 28 de agosto com 1.200 entrevistas presenciais em Caracas e demais principais cidades venezuelanas, revelou que 87% da população vive em situação de pobreza, com salário médio mensal equivalente a 250 dólares diante de um custo estimado de 800 dólares para uma cesta básica familiar, indicando uma disparidade estrutural que compromete o bem‑estar coletivo.
O levantamento, que abordou indivíduos acima de 18 anos pertencentes às classes A/B, C, D e E, constatou ainda que mais da metade dos entrevistados (50,6%) considera que sua situação econômica é pior em relação ao ano anterior, enquanto 22% afirmam que ela é muito pior; 75% dos participantes apontam que o país segue rumo errado após a saída de Maduro do poder, com inflação e condições econômicas como principais motivos de insatisfação.
Cerca de 87% dos venezuelanos vivem em pobreza, com salário médio de 250 dólares contra um custo de 800 dólares para a cesta básica familiar.
Repercussão Política e Consequências Imediatas
A presidenta interina Delcy Rodriguez enfrenta desaprovação de 80% dos entrevistados quanto às medidas econômicas e sociais adotadas desde sua posse, enquanto apenas 10,6% manifestam apoio à gestão atual; ao mesmo tempo, 73,5% dos venezuelanos apontam Maria Corina Machado como o nome ideal para liderar o país caso eleições se realizem este ano, apesar da impedidação legal imposta pelo governo anterior.
Diante do panorama, especialistas apontam que a ausência de um projeto estruturante de curto prazo e a persistente crise humanitária podem intensificar a instabilidade social, demandando intervenções urgentes tanto no âmbito institucional quanto nas políticas públicas para reverter o índice crescente de pobreza e a percepção negativa da governabilidade.



