A 15ª Cúpula do Brics inicia neste sábado (12), em Nova Délhi, reunindo Vladimir Putin, Xi Jinping e Narendra Modi, enquanto a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — representada pelo chanceler Mauro Vieira — evidencia as tensões internas que ameaçam a unidade do bloco.
Contexto Institucional e Histórico da Cúpula
A preparação para o encontro, que reúne mais de 400 membros da comitiva de Xi Jinping, ocorreu em meio a um cenário de profunda divergência entre os países fundadores do bloco, especialmente em relação às posturas sobre o conflito no O riente Médio e à estratégia de desdolarização proposta por Moscou e Pequim.
A expectativa de um comunicado final robusto despenca diante da dificuldade em harmonizar interesses tão distintos, já que a Índia insiste na neutralidade geopolítica, enquanto a Rússia busca desafiar a hegemonia ocidental e a China intensifica sua influência regional.
O Brics reúne 11 países, mas sua capacidade de gerar consenso é fragilizada pela fragmentação das agendas e pela resistência indiana à radicalização anti-ocidental.
Repercussão Jurídica e Econômica das Tensões Internas
A presença de Vladimir Putin, apesar do mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por alegado sequestro de crianças ucranianas, evidencia a estratégia russa de usar o fórum para reafirmar sua influência global e promover o comércio intra-bloco em moedas locais, como iuga e rupia chinesa, com o objetivo de minar o domínio do dólar.
Enquanto isso, a participação limitada de Lula — ausente por questões eleitorais internas — expõe a vulnerabilidade da América Latina no cenário Brics, onde a Índia assume papel central ao conter movimentos que possam antagonizar os Estados Unidos.



