Na manhã de 19 de outubro, a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus localizada em Santa Catarina repercutiu no mercado financeiro e nas cadeias produtivas do setor avícola brasileiro, afetando diretamente a MBRF, fornecedora exclusiva de perus para a unidade exportadora da Chapecó (SC), e levantando dúvidas sobre a estabilidade das exportações brasileiras de aves para a China.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A identificação do surto sanitário ocorreu em uma propriedade vinculada à MBRF, que detém o fornecimento integral dos perus destinados à unidade da empresa em Chapecó, responsável pela exportação de aves para mercados internacionais, segundo apurações baseadas em relatórios técnicos da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e apurações corroboradas por fontes do segmento.
A MBRF, controladora das marcas Sadia e Perdigão, registrou queda acentuada em seu pregão na B3 no dia 19 de outubro, com as ações recuando 4,11%, encerrando a R$ 18,29, enquanto os papéis da JBS negociados na Bolsa de Nova York registraram ajuste marginal de 1%, fechando em US$ 12,90; o episódio evidencia uma vulnerabilidade específica à exposição da companhia à dependência de um único fornecedor em região geográfica restrita.
A MBRF caiu 4,11% em seu pregão, para R$ 18,29, refletindo a volatilidade do mercado diante da confirmação de Newcastle em fornecedor exclusivo da unidade exportadora em Chapecó (SC).
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
O JPMorgan destacou que os efeitos financeiros sobre as empresas serão limitados e temporários, já que as restrições deverão ser regionais e não nacionais, com base no protocolo sanitário vigente entre o Brasil e a China — principal importador de carne de frango brasileiro —, conforme análise do banco realizado com base nos protocolos comerciais vigentes.
Ricardo Santin, presidente da ABPA, ressaltou que o protocolo comercial com a China prevê a suspensão das exportações após a ocorrência de Newcastle, mas que a definição das medidas sanitárias — nacionais ou limitadas ao estado ou região afetada — cabe às autoridades chinesas e pode atenuar o impacto econômico caso as restrições sejam geográficas.



