As empresas listadas na Bolsa brasileira perderam cerca de R$ 873 bilhões em valor de mercado na semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais, que elegeu Lula. Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, essa queda foi uma reação exagerada ao chamado trade eleitoral, após o Ibovespa ter chegado próximo aos 210 mil pontos no primeiro turno e corrigido para a faixa de 168 mil pontos.
Teles explicou que investidores institucionais desfizeram posições no Brasil por acreditarem que o risco fiscal é muito grande nos próximos quatro anos de governo. Apesar disso, ele ressaltou que as empresas não perderam a capacidade de gerar receita e que o Ibovespa está abaixo de sua média histórica, negociando a oito vezes o preço pelo lucro.
Questionado sobre a possibilidade de melhora para o mercado ainda em 2026, o especialista foi categórico ao afirmar que não vê perspectivas positivas. Ele citou a explosão dos juros futuros na última semana, a falta de sinalizações claras do governo sobre responsabilidade fiscal e uma dívida contratada no período eleitoral estimada em R$ 400 bilhões.
A saída de capital também pressionou o câmbio, com o dólar subindo de cerca de R$ 4,99 para a casa dos R$ 5,30. Para Teles, esse movimento eleva a inflação e dificulta a equação econômica, com capital migrando para os Estados Unidos e outros mercados emergentes.
O especialista destacou que varejo e construção civil são os setores mais impactados pelo cenário de juros elevados, por dependerem do crédito. Ele concluiu que o país deve enfrentar mais quatro anos com a Selic em patamar superior ao histórico devido aos gastos públicos elevados e subsídios ao crédito.



