Na madrugada de sábado (12/9), um prédio de 12 andares desabou sobre uma residência na Rua Tequici, 61, na Penha, zona leste de São Paulo, matando duas mulheres e deixando quatro pessoas soterradas, entre elas uma criança de 5 anos resgatada com vida; o prefeito Ricardo Nunes confirmou que o responsável técnico pela obra — filho do proprietário e engenheiro responsável — e seu pai, dono da construtora New Home, serão procurados para prisão após constatação de que a demolição previamente determinada não foi cumprida, e que uma servidora da Prefeitura que atestou a integralidade da demolição será afastada do cargo por, no mínimo, 30 dias pelo procurador-geral do município, Daniel Falcão, para garantir a lisura da investigação da Controladoria-Geral do Município.
Apuração e Contexto da Investigação Interna
A apuração coordenada pela Controladoria-Geral do Município revelou que a servidora responsável pelo documento oficial que atestava a demolição integral da estrutura existente no terreno — emitido em fevereiro de 2024 pela Subprefeitura da Penha — não constatou a efetiva execução das obras de derrubamento, contrariando determinações técnicas anteriores do órgão municipal.
Conforme registrado no termo de referência da investigação, o advogado da construtora New Home, Alexandre Sampi, compareceu ao local e confirmou a inexistência de ruínas ou escombros compatíveis com uma demolição completa, reforçando indícios de falsificação no laudo apresentado pela servidora e motivando a suspensão imediata de suas funções para evitar interferência na apuração dos fatos.
O afastamento da servidora por 30 dias visa garantir a imparcialidade da investigação sobre a emissão de documento falso que autorizou obra já condenada.
Repercussão Legal e Desdobramentos Judiciais
O prefeito Ricardo Nunes destacou que o filho do proprietário — engenheiro técnico responsável pela construção — e seu pai serão formalmente requisitados à Justiça para prisão preventiva após comprovação de descumprimento de ordem judicial de demolição, configurando crime de responsabilidade civil e possível homicídio culposo.
A Polícia Civil mantém operação ativa na região para localizar os envolvidos, enquanto a Defesa Civil informa que ainda não há evidências de que as chuvas ocorridas na capital tenham contribuído para o desastre, mantendo o foco nas responsabilidades técnicas e administrativas.



