Na próxima quarta-feira (22), a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dará início ao julgamento de recurso que pode definir o destino de uma multa de R$ 21 milhões, decorrente de alegado descumprimento de decisões judiciais entre a montadora Honda e uma concessionária capixaba, em disputa que se arrasta desde 2004.
Contexto Institucional e Histórico da Disputa Comercial
A decisão judicial envolve duas ações principais: a primeira discute o conflito contratual entre a Honda e a concessionária, enquanto a segunda trata das sanções financeiras aplicadas à montadora por suposto descumprimento de orientações judiciais. A concessionária venceu inicialmente a disputa sobre cláusulas contratuais, mas teve a sentença reformada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), o que motivou novo recurso ao STJ. A relatora da origem da ação, ministra Isabel Gallotti, determinou análise complementar pelo TJES, mas a concessionária manteve o pedido de revisão da multa. Desde 2004, o litígio se arrasta em meio ao cenário regulatório e comercial do setor automotivo capixaba.
O s laudos periciais revelam que, durante sete anos e meio, a Honda efetuou 1.379 entregas divergentes dos pedidos da revendedora, com impacto direto no faturamento bruto da concessionária, que registrou queda de 51,42% em 2009. A redução esteve associada à alteração na classificação comercial da revendedora, redução drástica de comissões e ao envio sistemático de estoques não solicitados, práticas que inviabilizaram vendas efetivas e desviação de mais de 4.400 motocicletas para canais não autorizados.
A Honda responde por desvio de mais de 4.400 motocicletas e uma multa milionária que ameaça sua estabilidade financeira.
Repercussão Jurídica e Consequências Econômicas
O Ministério Público Federal do Espírito Santo já havia interpelado a Honda sobre práticas comerciais abusivas em 2018, com base em estudos periciais que comprovavam violação ao livre concorrência e prejuízo à imagem do mercado local. Autoridades da entidade destacam que a multa proposta representa apenas uma parcela simbólica do prejuízo total estimado em R$ 31,4 milhões em vendas desviadas ao longo do período investigado.
Com o julgamento agendado para abril, especialistas apontam que o precedente pode repercutir sobre futuras negociações contratuais no setor automotivo, especialmente quanto à validade de cláusulas unilaterais e critérios de avaliação de desempenho comercial adotados por montadoras em relações com distribuidores.



