O roubo de US$ 6,3 bilhões sofrido pela Binance na semana passada levou seguradoras a examinar com mais atenção a segurança das empresas de criptomoedas. As seguradoras devem avaliar se os clientes estão vulneráveis a ataques semelhantes ao solicitar novas coberturas ou renovar apólices existentes, segundo fontes do setor e especialistas.
Embora as seguradoras não devam se afastar do setor nem reduzir a disponibilidade de cobertura, o maior roubo de criptomoedas já registrado pode levar a uma fiscalização mais rigorosa da exposição das empresas à Binance e a pontos fracos identificados no ataque, que o FBI atribuiu a um grupo ligado à Coreia do Norte.
O ataque ressalta os limites da cobertura de seguro disponível para o setor, avaliado em mais de US$ 2,5 trilhões. Nenhum seguro de criptomoedas disponível poderia cobrir uma perda dessa magnitude, afirmaram especialistas, enquanto muitas apólices contêm exclusões para ataques digitais apoiados por Estados.
Segundo um relatório publicado pela Binance, hackers utilizaram uma entrevista de emprego falsa e um software oculto em um anúncio para comprometer os computadores de dois engenheiros de software da empresa antes de usar um terceiro computador para desviar os US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A maior corretora de moedas digitais do mundo detalhou um plano em várias etapas que começou em junho e explorou uma série de brechas de segurança que culminaram no roubo na quinta-feira.
Jacqueline Quintal, líder do setor de instituições financeiras e ativos digitais da Marsh, disse que não prevê mudanças significativas na capacidade de cobertura, nos preços ou na cobertura dos seguros, mas que as seguradoras farão mais perguntas aos clientes, incluindo se eles poderiam estar expostos a um ataque semelhante. As perguntas podem ir além de uma avaliação geral sobre se os controles de segurança estão adequados, abrangendo pontos fracos específicos revelados pela investigação da Binance.
A magnitude do roubo também destaca os limites da proteção disponível para empresas de criptomoedas. Alan Lyons, copresidente do Grupo de Seguros, Resseguros e Resolução de Conflitos da Herrick, afirmou que uma perda dessa magnitude leva as seguradoras a reexaminar toda a sua carteira de criptomoedas, reavaliando a exposição agregada, as cláusulas e os sublimites em todo o portfólio.



