No sábado (3/10), véspera da eleição, o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal anulou decisões do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná que concederam direito de resposta ao candidato Sergio Moro após campanha de Sandro Alex divulgar vídeo acusando-o de posições favoráveis ao aborto, reafirmando que a propaganda transformou análise jurídica em posição pessoal e violou o direito de expressão do eleitorado.
Contexto Institucional e Histórico da Decisão
A apuração revelou que o TRE-PR havia concedido, por decisão monocrática, direito de resposta à campanha de Moro após inserção televisiva exibindo a frase 'ABORTO = SOLUÇÃO RAZOÁVEL', baseado em tese acadêmica de 2022 na qual o senador classificou a decisão da Suprema Corte dos EUA em Roe v. Wade como 'solução intermediária' e afirmou que 'não deixa de ser razoável' diante da polarização no tema.
O STF, ao analisar o caso, destacou que a propaganda distorceu o caráter técnico-jurídico da tese ao transformá-la em alegação pessoal do candidato, configurando restrição indevida à liberdade de expressão prevista no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal.
A decisão do STF restabelece o direito de expressão política ao vedar censura judicial por divergência ideológica em campanha eleitoral.
Repercussão Jurídica e Cenários Futuros
A cassação das decisões do TRE-PR foi celebrada como vitória para a democracia partidária, com o ministro ressaltando que 'quem discordar da interpretação deve responder no próprio debate público', reforçando que o Judiciário não pode atuar como árbitro subjetivo das narrativas eleitorais.
O caso abre precedente para futuras controvérsias sobre limites entre análise acadêmica e posicionamento político em campanhas, com especialistas apontando que a decisão pode impulsionar maior cautela por parte dos tribunais regionais na análise de direitos de resposta.



