Em operação coordenada pelo Gaeco e pela Corregedoria da Polícia Civil, o advogado Sidiclei da Costa Almeida foi preso nesta sexta-feira (28/8) sob a suspeita de intermediar pagamentos de propina para facilitar a liberação de cargas de eletrônicos apreendidas por agentes públicos, configurando um esquema de corrupção que envolvia também três policiais civis, um empresário e um foragido.
Contexto e Apuração do Esquema Corrupto
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime O rganizado (Gaeco), em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil, revelou que Sidiclei da Costa Almeida cobrou honorários de R$ 35 mil, registrando por escrito que parte do serviço consistia na "resolução de problemas relacionados à apreensão [acerto]¡", conforme consta na decisão judicial. As apurações indicam que valores adicionais, somando R$ 115 mil conforme documentos localizados no celular do empresário Thiago Marcel Magnabosco, seriam destinados a policiais civis envolvidos no desvio de cargas apreendidas.
Antecedentes e contexto institucional evidenciam que a prática corrosiva se configurou por meio da negociação direta entre o advogado e agentes públicos, com repasses via Pix, uso de contas bancárias privilegiadas e orientações para manipulação de declarações oficiais com o objetivo de fraudar procedimentos aduaneiros e liberar mercadorias ilicitamente.
O esquema movimentou R$ 115 mil em serviços correlacionados a vantagens indevidas, incluindo pagamentos em dinheiro vivo e transferências via Pix.
Repercussão Legal e Desdobramentos Imediatos
A Justiça reconheceu indícios de atuação que "transcenderia o exercício regular da advocacia", justificando as buscas realizadas contra Sidiclei, enquanto o Ministério Público de São Paulo (MPSP) identificou Thiago Marcel Magnabosco como possível líder do grupo responsável pela coordenação das cargas ilícitas.
A defesa dos acusados ainda não foi localizada, mas o caso deve culminar em processo penal por crimes contra a administração pública e lavagem de valores, com penas que podem chegar a 12 anos de reclusão para os envolvidos.



