De acordo com a Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia, realizada pela Quaest em parceria com a Pax e divulgada em 18 de setembro, 28% dos brasileiros identificam a violência como o principal problema do país, enquanto 80% consideram que o índice de criminalidade aumentou nos últimos dois anos, evidenciando uma percepção generalizada de insegurança que permeia o cenário nacional. O levantamento, baseado em entrevista presencial com 2.004 cidadãos de 16 anos ou mais entre 12 e 15 de setembro, aponta ainda que 73% dos entrevistados observam crescimento tanto na frequência quanto na violência dos delitos, consolidando um quadro de deterioração da segurança pública que exige respostas estruturadas e urgentes. Com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas eficazes e alinhadas às expectativas da sociedade.
Diagnóstico da Insegurança e Percepção Pública
A pesquisa, conduzida por meio de amostragem representativa em todo o território brasileiro, revelou que a violência não se limita a um único segmento da população: 93,6% das vítimas de violência doméstica permanecem fora dos registros oficiais, indicando subnotificação crônica em sistemas judiciais e policiais. Além disso, o levantamento identificou que 67% dos brasileiros defendem medidas punitivas mais rigorosas para crimes, sinalizando uma demanda por maior severidade nas penalidades. O estudo também destacou que a violência ultrapassa outros problemas estruturais, como corrupção (22%), economia (19%), saúde (15%) e desemprego (5%), evidenciando sua centralidade no imaginário coletivo.
Nos últimos dois anos, o aumento da violência tem se manifestado em diferentes fronteiras sociais: desde o crescimento de homicídios em áreas urbanas até o agravamento da violência doméstica, que, segundo dados do Datafolha, atinge principalmente mulheres jovens e pessoas trans. Esse cenário tem mobilizado órgãos públicos e sociedade civil em busca de estratégias integradas, incluindo o uso crescente de tecnologia para monitoramento e prevenção.
73% dos entrevistados constatam que os crimes aumentaram em quantidade e violência nos últimos dois anos.
Repercussão Institucional e Perspectivas Futuras
As autoridades públicos têm intensificado esforços para enfrentar o desafio: no Distrito Federal, vítimas de violência contarão com apoio psicológico e jurídico gratuito, medida prevista no âmbito do programa federal de proteção à vítima. Paralelamente, a plataforma Pax, especializada em inteligência artificial para segurança pública, tem sido utilizada para integrar dados de ocorrências policiais, mandados judiciais e imagens de câmeras de vigilância, facilitando a análise preditiva e o mapeamento de áreas críticas.
Especialistas apontam que o uso sistemático da tecnologia na segurança pública não substitui investimentos em políticas sociais preventivas, mas atua como ferramenta complementar para otimizar recursos e agilizar respostas. Com a PEC das Liberdades Civis em tramitação no Congresso e debates sobre a regulamentação do uso de inteligência artificial nas forças armadas ainda em andamento, o debate sobre o equilíbrio entre segurança e direitos fundamentais permanece aberto.



