Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo, não é considerado um bolsonarista raiz, mas sua gestão acumula alianças, contratos e vínculos com personagens associados ao clã Bolsonaro. Na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o prefeito assumiu papel ativo na articulação de apoios no estado, incluindo a mobilização de prefeitos da Região Metropolitana. A relação próxima começa pela chapa da eleição municipal de 2024, quando Nunes aceitou o coronel da reserva Ricardo Mello Araújo (PL), indicado por Jair Bolsonaro para a vice-prefeitura. Em abril de 2025, o prefeito discursou em um ato contra o STF na Avenida Paulista e foi tratado como anfitrião por organizadores.
Reportagem do The Intercept Brasil revelou contratos que somam R$ 108 milhões entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de Wi-Fi. A presidente da entidade, Karina Ferreira da Gama, também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista. Nunes negou irregularidades e classificou as apurações como perseguição política.
A prefeitura também contratou, sem licitação, o Instituto Iter, fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, indicado por Bolsonaro. Os contratos divulgados pela imprensa variam de R$ 183 mil a R$ 380 mil. Ainda como vereador, Ricardo Nunes foi um dos articuladores da retirada de menções a “gênero” e “orientação sexual” do Plano Municipal de Educação (PME) e defendia o “Escola sem Partido”.
Agora, Nunes enfrenta uma nova frente de desgaste. A Câmara Municipal instalou uma comissão especial para analisar o pedido de impeachment apresentado por vereadores do PSOL. A denúncia aponta possível descumprimento de ordem judicial sobre a circulação integral dos ônibus no segundo turno e suspeita de pressão sobre servidores comissionados para participar de atividades eleitorais. A comissão tem dez dias para emitir parecer. A abertura de um processo de impeachment ainda depende de decisão da Câmara.



