Segundo levantamento inédito da organização CTRL+Z com base em prestações de contas à Justiça Eleitoral, as plataformas digitais Meta e Google arrecadaram R$ 831 milhões em recursos destinados à publicidade eleitoral no Brasil, concentrando 80% do orçamento total das campanhas em um contexto de digitalização acelerada da política e crescente dependência de canais controlados por grandes empresas tecnológicas.
Contexto Institucional e Financeiro da Concentração de Recursos
A investigação da CTRL+Z cruzou os dados oficiais de prestação de contas apresentados às Juntas Eleitorais com o mapeamento do mercado publicitário digital, revelando que a Meta, proprietária do Facebook e Instagram, absorveu a maior parcela desse volume financeiro, enquanto o Google, via o Google Ads e YouTube, assegurou a complementação da presença online das campanhas.
O s valores, somados ao crescimento exponencial do investimento em mídia digital nas últimas eleições, refletem uma mudança estrutural no modelo de campanha: estratégias que antes dependiam de mídia tradicional e contato direto com o eleitor agora se concentram em algoritmos, segmentação hiperpersonalizada e alcance massivo por meio das plataformas controladas pelas big techs.
Meta e Google arrecadaram R$ 831 milhões em recursos de campanhas eleitorais, representando 80% do total investido em publicidade digital pelos candidatos e partidos.
Repercussão Institucional e Desafios Regulatórios
A decisão recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a caracterização de deepfake — exemplificada por um vídeo com a imagem e voz reproduzidos artificialmente do ex-presidente Jair Bolsonaro — evidencia a urgência de atualizar o arcabouço jurídico eleitoral para confrontar novas tecnologias que desafiam a transparência e a veracidade das informações durante o pleito.
Profissionais do marketing alertam que a dependência exclusiva das big techs cria vulnerabilidades éticas e operacionais, já que o diálogo com as plataformas é burocrático e limitado, sobretudo para campanhas com orçamento reduzido ou sem acesso direto a canais verificados.
Especialistas apontam que a ausência de regulamentação clara sobre uso de IA, microtargeting e algoritmos pode comprometer a equidade do processo democrático, exigindo ações legislativas antes das eleições municipais de 2024 e estaduais de 2026.



