O mapeamento divulgado pela Embrapa revela que a expansão da produção de cacau na Amazônia ocorreu sem provocar desmatamento, consolidando a cultura como alternativa sustentável à frente da fronteira agrícola.
Contexto Institucional e Evidências do Mapeamento
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) conduziu um levantamento com base em dados da plataforma TerraClass, do Prodes e do Inpe, analisando 121 mil hectares na Amazônia Legal, dos quais 84,65% pertencem a pequenos produtores no Pará e 99,4% em Rondônia, onde o plantio de cacau se desenvolve sem desmatamento após 2008, conforme o Código Florestal.
A pesquisa identificou que apenas 3,9% da área cultivada no Pará e 2% em Rondônia foram estabelecidas em terrenos desmatados após a vigência da lei ambiental, enquanto o total cultivado cresceu de 87,3 mil hectares em 2022 para 116,4 mil hectares em 2024, refletindo alta de 33,26%, com predominância do cultivo a pleno sol (63%) e dos sistemas agroflorestais (SAFs), que respondem por 37%.
A agricultura familiar é responsável por 84,65% das áreas de cacau no Pará e 99,4% em Rondônia.
Repercussão Técnica e Desafios da Cadeia Produtiva
O estudo aponta que a cacauicultura desempenha papel estratégico no desenvolvimento socioambiental das regiões Norte e O este do Brasil, contribuindo para a recuperação de solos degradados e geração de renda para milhares de famílias rurais, conforme destacado pelo pesquisador-chefe da Embrapa Amazônia O riental, Adriano Venturieri.
Apesar do avanço positivo, o principal desafio identificado é garantir governança territorial, rastreabilidade da cadeia produtiva e qualidade na produção, demandas que exigem políticas públicas estruturadas e maior integração entre produtores e órgãos reguladores.



