Benjamin Netanyahu, que atua como primeiro-ministro de Israel desde 2022, pode continuar no poder ainda que seu grupo político não vença as eleições gerais no país deste ano, devido ao impasse político que se desenha no país. O pleito foi realizado na terça-feira (27/10).
A possibilidade existe devido ao sistema político israelense, que adota o parlamentarismo. Nele, um partido deve alcançar 61 das 120 cadeiras no Knesset, o Parlamento local, para indicar o primeiro-ministro e formar o governo.
No entanto, isso nunca aconteceu na história política do país. Por isso, siglas costumam costurar alianças para que alcancem o mínimo de assentos necessários juntos. Nas pesquisas de boca de urna divulgadas após o fim da votação, entretanto, nenhum partido ou coalizão alcançou 61 cadeiras no poder legislativo.
As projeções indicam que o grupo de Netanyahu, composto pelos partidos Likud, Shas, Zionismo Religioso, Otzman e o Judaísmo Unido da Torá, deve conquistar 57 cadeiras no Knesset.
Já a coalizão do seu adversário político, Gadi Eisenkot, pode ficar dois assentos à frente. A boca de urna mostra que os partidos Yashar, B’Yachad, Democratas e Yisrael Beytenu têm chances de eleger 47 parlamentares.
As outras 16 cadeiras estão divididos entre a Lista Conjunta, com 12, e o Ra’am, com 4. Ambos fazem parte do grupo político liderado por árabes. O Metrópoles usou como base projeções divulgadas por volta das 2 horas da manhã desta quarta-feira (28/10).
Caso nenhum partido ou grupo alcance as 61 cadeiras necessárias para formar o governo de Israel, negociações são iniciadas entre as alas políticas no Knesset.
Cada coalizão ou sigla deve apresentar um parlamentar como candidato ao cargo de premiê. Depois disso, o presidente do país, Isaac Herzog, dá o aval necessário para aquele que considerar com mais chances de se tornar o novo primeiro-ministro de Israel.
Com o sinal verde presidencial, o político deve negociar com os membros do legislativo para alcançar o apoio de 61 legisladores. A legislação prevê que o processo pode durar 28 dias, e seja prorrogado por até 14 dias.
Caso o candidato não conquiste o apoio de 61 parlamentares, o presidente israelense pode dar a outro parlamentar a chance de formar um governo em até 28 dias.
Se a nova tentativa fracassar, um bloco de 61 parlamentares deve apresentar um outro nome, que terá prazo de 14 dias para angariar o suporte necessário para formar o governo.
Existe ainda a possibilidade da criação de um governo de unidade nacional, com acordos de rotação no cargo de primeiro-ministro.
Se nenhuma das alternativas obtiver sucesso, o Knesset é dissolvido e novas eleições são convocadas — o cenário mais provável segundo analistas ouvidos pelo Metrópoles.
“Dificilmente o bloco de Netanyahu alcançará a maioria, mas isso não significa que a oposição conseguirá formar o governo”, afirma João Koatz Miragaya, fundador do podcast Do Lado Esquerdo do Muro e membro do historiador do Instituto Brasil-Israel (IBI).
“Dificilmente o bloco de Netanyahu alcançará a maioria, mas isso não significa que a oposição conseguirá formar o governo”, afirma João Koatz Miragaya, fundador do podcast Do Lado Esquerdo do Muro e membro do historiador do Instituto Brasil-Israel (IBI).
“As pesquisas apontam para uma vantagem considerável se somarmos todos os partidos da oposição, mas há uma resistência de parte desses partidos em formas o governo com a participação de partidos árabes. Caso eles não mudem sua posição, é possível que entremos em um cenário no qual novas eleições serão marcadas para daqui a cerca de 6 meses.”
Enquanto isso, as leis eleitorais em Israel preveem que o atual governo do país, liderado por Benjamin Netanyahu, permanece no poder de forma interina.



