Segundo levantamento da KPMG, o setor agropecuário brasileiro registrou decréscimo de 38% no número de operações de M&A no período analisado, enquanto o valor transacionado subiu de R$ 1 bilhão para R$ 1,9 bilhão, evidenciando uma concentração acelerada dos ativos entre multinacionais e grandes empresas em resposta ao endividamento estrutural dos produtores e das corporações do segmento.
Contexto Institucional e Dinâmica do Endividamento Agropecuário
A análise da consultoria KPMG, baseada em dados de recuperação judicial e indicadores de inadimplência, revelou que a pressão financeira sobre os produtores rurais e as empresas do agro tem se traduzido em estratégias de venda de ativos para preservação da liquidez, com a necessidade de converter terras e propriedades em recursos imediatos para quitar obrigações de longo prazo.
Essa tendência se insere num quadro mais amplo de restrição ao crédito, já que o custo da dívida — que varia entre 15% e 20% ao ano — supera em muitos casos a rentabilidade das lavouras, forçando a desinvestida de patrimônios que outrora sustentavam a expansão produtiva.
O valor transacionado nas 13 operações de M&A no agro subiu de R$ 1 bilhão para R$ 1,9 bilhão, sinalizando uma concentração crescente dos ativos entre grandes grupos financeiros.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Sobrevivência no Setor
Em resposta à crise de liquidez, autoridades como a Secretaria de Agricultura e Pecuária (Mapa) têm sinalizado a necessidade de políticas de reestruturação de dívida e ampliação de linhas de crédito específicas para o agronegócio, visando evitar a descontinuidade dos ciclos produtivos por falta de financiamento.
Enquanto isso, os próprios produtores têm adotado medidas como arrendamento de áreas e venda parcial de propriedades para reduzir o apalancamento, num esforço coordenado que ainda depende da flexibilização das condições bancárias e da retomada da confiança no mercado creditício.



