Na quinta-feira (1º de outubro), a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de revisão criminal com o objetivo de anular sua condenação a 27 anos e três meses de prisão, imposta por unanimidade em 2025 pelo colegiado do STF no julgamento que o considerou o líder de uma organização criminosa voltada à manutenção no poder após as eleições de 2022.
Contexto Processual e Fundamentação da Petição
A petição, assinada pela banca do advogado Celso Vilardi, responsável pela defesa de Bolsonaro no julgamento sobre suposto plano para perpetrar o golpe pós-eleitoral, sustenta que o processo condenatório violou princípios constitucionais ao conceder acesso limitado às provas e impor prazos insuficientes para análise do material complexo submetido à apreensão da Polícia Federal.
Antecedentemente, a defesa alegou que os primeiros links de acesso aos documentos da investigação só foram disponibilizados entre 14 e 15 de maio, com um novo lote chegando em 30 de maio após apreensão com o general Mário Fernandes, gerando descrédito sobre a efetividade do contraditório garantido pelo artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal.
O ex-presidente cumpre pena domiciliar desde 24 de março, após transferência por razões humanitárias motivadas por quadro clínico delicado.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Iminentes
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso que condenou Bolsonaro por tentativa de golpe e outros crimes, havia concedido anteriormente a manutenção do regime domiciliar em decisão de julho, argumentando ausência de tempo hábil para exame rigoroso das provas, posição que agora é reiterada pela defesa no pedido de revisão criminal.
Especialistas em direito penal apontam que a discussão sobre a anulação da condenação deve esbarrar na jurisprudência consolidada do STF sobre o alcance da revisão criminal, enquanto o Ministério Público Federal deve avaliar se há elementos para impugnação da sentença ou manutenção da ordem judicial.



