O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que a ilha caribenha está se preparando para enfrentar uma eventual agressão militar dos Estados Unidos, em resposta às recentes ameaças proferidas pelo governo Donald Trump após o derrubamento de Nicolás Maduro na Venezuela, quando Washington prometeu 'tomar' Cuba e deslocou um porta-aviões nuclear para as águas próximas à costa cubana, enquanto impôs sanções ao Banco de Cuba por supostas ligações com o Irã.}.
Contexto Histórico e Doutrinário da Preparação Defensiva Cubana
A apuração realizada junto ao Ministério das Relações Exteriores de Cuba e ao diplomata responsável pela missão no Brasil revelou que, desde o início da década de 1980, a doutrina da Guerra de Todo o Povo tem orientado a mobilização civil como extensão estratégica das Forças Armadas em cenários de ameaça externa, prevendo a preparação de civis com suprimentos essenciais e treinamento para resistência prolongada. O manual 'Proteger, Resistir, Sobreviver e Vencer', divulgado recentemente pela Defesa Civil cubana, recomenda a criação de mochilas com água potável, alimentos não perecíveis, medicamentos, lanterna e rádio, além de instruções para os cidadãos atuarem em suporte a feridos em caso de ataque.
Nos últimos meses, o agravamento das tensões com os Estados Unidos — incluindo o corte do fornecimento de petróleo venezuelano e a imposição de sanções ao sistema bancário cubano por supostas conexões com Teerã — reforçou a percepção de vulnerabilidade estratégica, embora autoridades cubanas reiterem a disposição para dialogar sobre questões não relacionadas à soberania nacional.
Cuba declara estar pronta para defender sua soberania com mobilização total da população em caso de agressão militar dos Estados Unidos.
Repercussão Internacional e Desafios da Diplomacia Bilateral
O governo Trump tem endurecido as restrições financeiras sobre Cuba ao sancionar o Banco de Cuba por supostas ligações com o Irã, medida que limita o acesso do país a transações em moedas estrangeiras e complica as operações comerciais internacionais. Apesar do aperto econômico, o embaixador Palomo enfatizou que Cuba busca negociações exclusivas sobre temas bilaterais sem abrir mão da soberania como princípio inegociável. A O rganização das Nações Unidas já recebeu petições cubanas pedindo o fim do embargo econômico dos Estados Unidos há décadas.
Especialistas em relações internacionais apontam que a combinação de pressão militar retórica, sanções econômicas e movimento diplomático na O NU pode gerar um caldeirão de tensões que exige cautela por parte de ambas as partes para evitar escalada indevida. A postura cubana permanece firme: aceita diálogos técnicos sobre migração, comércio e direitos humanos, mas rejeita qualquer negociação que envolva alterações institucionais internas.



