Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28) em um avião particular, acompanhado da mulher e das duas filhas. O senador deixou o território brasileiro às 22h50 de terça-feira, cruzando a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Foz do Iguaçu. De Puerto Iguazú, embarcou em um jato Gulfstream G400 da empresa argentina Baires Fly, com escala em Guayaquil, no Equador, antes de pousar às 9h23 no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, conforme dados do FlightRadar24.
Mais tarde, Flávio publicou uma carta com teor golpista na qual se autodeclarava o "verdadeiro presidente eleito" do Brasil. Minutos depois, o documento foi alterado para substituir a expressão por "líder do Brasil", mas continuou gerando reações de aliados e adversários políticos. No texto, ele afirmou que pretende comandar a oposição do exterior e comparou sua situação à de Rui Barbosa e Charles de Gaulle.
A Polícia Federal informou que não encontrou registro oficial de saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório. A corporação também esclareceu que restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam sua prisão ou vigilância permanente. O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, afirmou à CNN Brasil que havia combinado com o senador a entrega dos passaportes à PF e que foi surpreendido pela viagem.
A oposição cobrou a apuração das circunstâncias da saída do país. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e o deputado Rogério Correia (MG) acionaram a Polícia Federal para investigar quem teria ajudado Flávio a deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. Os parlamentares pedem que sejam apuradas possíveis redes de apoio político e financeiro.
Em reação à carta, parte dos aliados de Flávio adotou um tom de cautela e evitou endossar a acusação de fraude eleitoral. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse compreender a indignação do senador, mas defendeu o respeito ao resultado das urnas. O União Brasil reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou que o processo eleitoral transcorreu com lisura.



