No âmbito da luta nacional contra a hiperinflação remanescente dos regimes autoritários, o governo federal instituiu, em 10 de setembro de 1985, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, marcando o pioneirismo da participação política popular após a redemocratização e destacando o papel estratégico das mulheres na fiscalização dos preços e na consolidação do senso econômico.
Contexto Histórico e Institucional da Fiscalização Popular
A instauração do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, sob a gestão do presidente José Sarney, ocorreu como desdobramento do movimento dos fiscais do Sarney, que reunia cidadãos – entre os quais mulheres em posição central – para monitorar o cumprimento do congelamento de preços em estabelecimentos comerciais durante a crise inflacionária pós-ditadura.
O engajamento feminino nessa iniciativa representou a primeira experiência concreta de cidadania ativa pós-ditadura, com mulheres detectando violações sistemáticas do congelamento em supermercados, feiras e açougues, contribuindo decisivamente para a restauração da credibilidade econômica e para a formulação da Carta Constitucional de 1988.
Na luta contra a hiperinflação, as mulheres foram as primeiras a identificar e denunciar o descumprimento do congelamento de preços em supermercados e feiras.
Repercussão Política e Futuro da Representatividade Feminina
A nomeação de Roseana Sarney para exercer cargo no Senado do Maranhão, anunciada recentemente, reforça o compromisso histórico com a participação plena de mulheres nos espaços decisórios do Estado, consolidando sua trajetória de liderança com atuação reconhecida na articulação política e no serviço público.
O avanço rumo à paridade de gênero nos poderes legislativos sinaliza um novo capítulo na democracia brasileira, no qual o protagonismo feminino deixa de ser exceção para se tornar regra institucional.



