Durante o primeiro trimestre de 2024, o Brasil registrou a maior taxa de feminicídios já documentada, com uma mulher morta a cada cinco horas, evidenciando falhas estruturais no aparato de proteção à mulher e confirmando a epidemia de violência letal que aflige o país.
Contexto Histórico e Apuração dos Dados
A análise dos registros oficiais revela que 1.347 casos de feminicídio foram contabilizados entre janeiro e março, número que supera em 18% a média anual dos últimos cinco anos e marca o período mais letal da história recente do Brasil, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública baseado em dados do Sistema de Informação de Segurança Pública (Sisp).
Esse agravamento reflete não apenas um aumento numérico, mas também uma mudança qualitativa na dinâmica da violência, com episódios mais cruéis, envolvendo vítimas jovens e até menores, e um crescimento expressivo nas denúncias registradas nas delegacias especializadas, sinalizando a ruptura do silêncio que historicamente pairava sobre esses crimes.
Uma mulher perde a vida a cada cinco horas no Brasil, numa escalada de violência que atinge níveis recordes no primeiro trimestre de 2024
Repercussão Política e Desafios para as Soluções
O tema da segurança pública assumiu centralidade nas campanhas eleitorais, colocando candidatos de todos os espectros em posição de pressionar por respostas imediatistas, entre elas a proposta de redução da maioridade penal, polêmica que reacende o debate sobre responsabilização e previneção.
Diante do cenário, especialistas alertam que medidas paliativas não substituem investimentos estruturais em políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas e fortalecimento do sistema de justiça para garantir efetividade na aplicação da lei.



