Uma mancha de coloração verde fluorescente que se estende por aproximadamente 30 quilômetros no Rio Bacajá, no Pará, tem preocupado comunidades indígenas e ribeirinhas após o registro de peixes mortos. O caso foi denunciado nesta quarta-feira (4) pelo Monitoramento Ambiental Territorial Independente da Volta Grande do Xingu (MATI-VGX), que acompanha a situação e investiga as possíveis causas da alteração na água.
Os primeiros sinais foram percebidos por indígenas do povo Xikrin por volta de 23 de outubro, quando o rio começou a apresentar mudança de coloração. No dia 27, uma equipe do MATI chegou ao local para uma expedição de monitoramento e encontrou a água com aspecto verde fosforescente; no dia seguinte, foram encontrados peixes mortos.
O levantamento divulgado pelo grupo indica que a mancha já alcança cerca de 30 quilômetros, em um trecho entre Anapu e Senador José Porfírio. A área afetada atravessa a Terra Indígena Trincheira Bacajá, do povo Xikrin, a Terra Indígena Arara da Volta Grande, do povo Arara, além de comunidades ribeirinhas, e segue em direção ao Rio Xingu.
Entre as hipóteses levantadas pelo MATI está a proliferação de bactérias, possivelmente associada à seca extrema e às altas temperaturas da água. No entanto, o grupo ressalta que ainda não há confirmação sobre a origem da mancha.
A possibilidade de contaminação por fertilizantes, agrotóxicos ou substâncias utilizadas em atividades de garimpo ilegal também não foi descartada. Amostras da água foram coletadas e encaminhadas para análise em Belém.
A ocorrência preocupa especialmente as comunidades que dependem do rio para atividades cotidianas, alimentação e pesca. O alerta acontece às vésperas do início do período de defeso no Pará, previsto para 15 de novembro, quando a pesca é restringida para proteger a reprodução dos peixes.



